Bancos pressionam o Banco Central a rever teto de juros em novo modelo de crédito imobiliário

Em meio à transição para um novo modelo de financiamento habitacional, bancos pressionam o Banco Central a revisar o teto de 12% ao ano para os juros do crédito imobiliário enquadrado no Sistema Financeiro de Habitação (SFH).

A pressão aumentou com a Selic mantida em 14% ao ano. Segundo representantes dos bancos, a alta dos juros encarece a captação de recursos no mercado e reduz as margens das instituições, enquanto o SFH mantém um limite de 12% ao ano, acrescido da TR, para financiamentos de imóveis de até R$ 2,25 milhões.

O novo modelo de financiamento habitacional, anunciado no fim de 2025 e com implementação gradual até janeiro de 2027, busca reduzir a dependência da poupança como fonte de recursos para o crédito imobiliário. Com os juros elevados, a poupança perdeu atratividade e passou a ter menos recursos disponíveis.

Para ampliar as fontes de financiamento, os bancos poderão captar recursos no mercado de capitais por meio de instrumentos como as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs). Em contrapartida, precisam direcionar pelo menos 80% dos recursos imobiliários para operações do SFH.

Representantes das instituições financeiras afirmam que, com o custo atual de captação, a manutenção do teto de juros pode reduzir a disposição dos bancos para conceder novos financiamentos.

O diretor de Regulação do Banco Central, Gilneu Vivan, afirmou que a exigência de destinação de 80% dos recursos poderá ser revisada durante a implementação do novo sistema. O órgão também avalia qual indexador será mais adequado para garantir previsibilidade aos consumidores e segurança para as instituições.

Entre as possibilidades estão a TR, que passou por mudanças em seu cálculo, e o IPCA, índice oficial de inflação. A utilização do IPCA, porém, poderia aumentar a incerteza sobre o valor das parcelas futuras para os compradores.

Fonte: Jornal O Sul