A inadimplência no País deve seguir em processo de deterioração no terceiro trimestre deste ano, diz relatório do Banco Central
O Desenrola ajudou a renegociar bilhões de reais em dívidas, mas a inadimplência ainda preocupa os bancos. Segundo a Pesquisa Trimestral de Condições de Crédito (PTC), do Banco Central, as instituições financeiras esperam uma nova deterioração da inadimplência no terceiro trimestre de 2026, embora em ritmo menor que no período anterior.
No segundo trimestre, os bancos já haviam adotado uma postura mais restritiva na concessão de crédito, enquanto a demanda permaneceu elevada. Para o terceiro trimestre, a expectativa é de manutenção do aperto principalmente para empresas e de maior cautela no crédito para pessoas físicas.
Entre as micro, pequenas e médias empresas, a inadimplência aparece como um dos principais fatores de restrição à oferta. O cenário também deve permanecer mais difícil para grandes empresas.
Para as pessoas físicas, emprego e renda continuam sustentando a procura por crédito, mas o comprometimento financeiro das famílias e a inadimplência reduzem a disposição dos bancos para ampliar os empréstimos.
No crédito habitacional, que teve condições mais estáveis no segundo trimestre, também existe expectativa de algum aperto nos próximos meses, principalmente devido à maior preocupação com o risco de inadimplência.
Os programas de renegociação podem ajudar a reorganizar as dívidas. O Novo Desenrola Brasil já havia renegociado R$ 25,51 bilhões em débitos em atraso até agosto, enquanto o Desenrola Adimplentes busca permitir a substituição de dívidas por novas operações em condições mais favoráveis.
Apesar dessas iniciativas, a pesquisa indica que os bancos ainda consideram a qualidade do crédito um ponto de atenção para os próximos meses.
Fonte: Jornal O Sul
