Setores afetados por tarifas impostas pelos Estados Unidos calculam perdas, preveem demissões e falam em reverter medida


Setores da economia brasileira que ficaram fora da lista de isenções do novo tarifaço dos Estados Unidos já estimam impactos negativos para empresas, com possibilidade de perda de vendas, redução de competitividade e demissões caso não haja uma reversão da medida.

A tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, anunciada pelo governo norte-americano, gerou preocupação entre entidades empresariais. Alguns setores tentavam negociar exceções, mas não foram incluídos na lista de produtos isentos.

A indústria de calçados está entre as mais afetadas. Segundo a Abicalçados, os Estados Unidos representam cerca de 20% das exportações brasileiras do setor e a nova cobrança deve reduzir a competitividade dos fabricantes nacionais. A entidade estima impacto de 7,1% nas exportações totais de calçados do Brasil.

A associação alerta que, somada à tarifa de 10% já existente, a sobretaxa pode elevar o custo de entrada dos produtos brasileiros para 35%, tornando inviáveis muitas operações. Empresas do interior de São Paulo e do Rio Grande do Sul podem ser algumas das mais afetadas.

O setor de máquinas e equipamentos também demonstrou preocupação. A Abimaq afirmou que a medida aumenta a incerteza no comércio entre os países, podendo elevar custos, prejudicar investimentos e reduzir a competitividade. Em 2025, os Estados Unidos foram o principal destino das exportações brasileiras do segmento, com cerca de US$ 3,2 bilhões em vendas.

No setor sucroenergético, a Unica criticou a inclusão do etanol brasileiro na tarifa e afirmou que a política comercial do Brasil segue as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).

A indústria de árvores cultivadas, celulose e madeira também avalia impactos. A Ibá destacou que produtos como celulose solúvel, papéis, painéis de madeira, MDF, MDP e pisos laminados serão afetados, com retração de até 50% em algumas exportações no primeiro semestre de 2026.

Já o setor têxtil e de moda afirmou que o tarifaço prejudica a competitividade da indústria brasileira e pode afetar geração de empregos e renda.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que a nova sobretaxa amplia perdas já observadas nas exportações brasileiras para os Estados Unidos. Segundo a entidade, no primeiro semestre deste ano, 20 dos 27 estados brasileiros registraram queda nas vendas ao mercado americano, com redução de 13% nas exportações, equivalente a US$ 2,6 bilhões.

As entidades empresariais afirmam que continuarão buscando negociações para reduzir os impactos da medida e preservar a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos.

Fonte: Jornal O Sul.