Saiba por que a Bolsa brasileira saltou 2,44% e o dólar caiu no dia em que o tarifaço entrou em vigor
A entrada em vigor da tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros marcou um dia de cautela nos mercados, mas não impediu uma forte valorização dos ativos domésticos. Nesta quarta-feira (22), o Ibovespa avançou 2,44%, encerrando o pregão aos 177.547,56 pontos, enquanto o dólar caiu 0,42%, cotado a R$ 5,05.
O desempenho positivo da Bolsa foi impulsionado principalmente pelas ações da WEG (WEGE3), após a divulgação do balanço da companhia, e da Vale (VALE3), que apresentou dados de produção considerados favoráveis pelo mercado.
Segundo analistas, o comportamento dos investidores mostra que os mercados não reagem apenas às principais manchetes do dia. Embora a tarifa americana represente um impacto negativo para setores mais expostos às exportações para os Estados Unidos, parte desse risco já havia sido incorporada aos preços antes da entrada em vigor da medida.
Outro fator que ajudou a sustentar o Ibovespa foi o peso de empresas ligadas a commodities no índice. A Petrobras foi beneficiada pela valorização do petróleo, que voltou a subir diante das tensões no Oriente Médio e dos riscos envolvendo rotas estratégicas de transporte da commodity. A empresa também recebeu recomendação positiva de instituições financeiras.
A Vale também registrou alta expressiva, apoiada pelos números operacionais divulgados e pela relação da companhia com o mercado global de minério de ferro, especialmente a demanda chinesa, que tem maior influência sobre seus resultados do que as exportações brasileiras para os Estados Unidos.
No câmbio, o real continuou favorecido pelo diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, que mantém o país atrativo para investidores estrangeiros. A valorização do petróleo também contribuiu para melhorar a entrada de receitas externas e dar suporte à moeda brasileira.
Apesar do desempenho positivo no pregão, especialistas alertam que os riscos permanecem. Uma ampliação das tarifas, novas medidas comerciais ou uma escalada das tensões internacionais podem afetar o crescimento econômico, os investimentos e a confiança dos agentes.
Fonte: Jornal O Sul.
