Produção industrial do Brasil frustra expectativa e recua em maio após 4 altas


Por Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO, 3 Jul (Reuters) - A produção industrial no Brasil frustrou as expectativas de economistas e recuou em maio, interrompendo quatro meses seguidos de ganhos, sob pressão do desempenho fraco de atividades como o combustível coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis e indústrias extrativas.

Em maio, a produção teve queda de 0,2%, informou nesta sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), contra expectativa em pesquisa da Reuters de aumento de 0,3%.

Os dados mostraram ainda que o setor apresentou expansão de 0,2% na comparação com o mesmo período do ano passado, ante projeção de alta de 1,3%.

Depois de patinar no ano passado, a indústria brasileira apresentou resultados positivos nos quatro primeiros meses de 2026, mostrando resiliência com impacto positivo principalmente do setor extrativo, embora outros setores indiquem sentir os efeitos da taxa de juros ainda elevada, com a Selic atualmente em 14,25%.

Ainda assim, a indústria encontra-se 13,0% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011, segundo o IBGE.

Em maio, as influências negativas mais intensas vieram de coque (combustível derivado do carvão hulha), produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, com queda de 6,1% sobre abril, e indústrias extrativas, com retração de 2,6%.

"As principais influências negativas para a produção industrial em maio vieram de segmentos sensíveis aos impactos do conflito no Oriente Médio, que tiveram ganhos durante o período de maiores tensões, sustentando parte das altas recentes da produção geral", disse Andressa Durão, economista do ASA.

Segundo o gerente da pesquisa no IBGE, André Macedo, álcool etílico e gasolina exerceram as maiores pressões negativas em derivados do petróleo, enquanto minério de ferro, óleos brutos do petróleo e gás natural pesaram sobre a indústria extrativa.

"Vejo isso (as quedas em maio) muito mais como uma acomodação do que reversão de tendência. Maio veio para eliminar parte desse ganho, mas (as atividades) seguem liderando o impacto no ano", completou Macedo.

No ano, as indústrias extrativas acumulam crescimento de 7,9% enquanto coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis têm alta de 5,1%.

Também tiveram resultados negativos na comparação com abril produtos alimentícios (-1,3%), produtos têxteis (-4,0%), impressão e reprodução de gravações (-8,1%) e equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-2,0%).

Entre as grandes categorias econômicas, bens de consumo semi e não duráveis apresentaram queda de 1,3% em comparação com abril. Bens intermediários (-0,4%) e bens de capital (-0,2%) também tiveram taxas negativas, enquanto bens de consumo duráveis (3,6%) apresentaram o único resultado positivo.

 "Apesar dos bons resultados nos primeiros meses do ano, a perspectiva é de perda gradual de tração da indústria, puxada principalmente pela indústria de transformação. A extrativa – que, assim como em 2025, continua sendo impulsionada por uma  forte produção de petróleo – também deve perder parte do impulso visto no último ano", avaliou Heliezer Jacob, economista do C6 Bank.

(Edição de Isabel Versiani)