Prejuízo das empresas estatais coloca em risco o caixa do Tesouro Nacional
A Instituição Fiscal Independente (IFI) alertou que a piora das contas das empresas estatais federais nos últimos anos pode aumentar os riscos fiscais para a União, caso o governo precise realizar novos aportes financeiros para manter essas empresas em funcionamento. A análise foi divulgada no Relatório de Acompanhamento Fiscal do órgão, vinculado ao Senado.
Segundo o estudo, o resultado primário das estatais passou de superávit em 2022 para um déficit equivalente a 0,07% do PIB em maio de 2026, indicando deterioração da situação fiscal do setor.
Em 2025, as estatais dependentes da União — aquelas que recebem recursos do Tesouro para custear suas atividades — registraram R$ 30,2 bilhões em despesas, sendo R$ 27,5 bilhões destinados a gastos com pessoal e custeio e R$ 2,7 bilhões voltados a investimentos.
Cinco empresas concentraram mais de 77% dessas despesas:
Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh);
Embrapa;
Hospital Nossa Senhora da Conceição;
Companhia Nacional de Abastecimento (Conab);
Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA).
O relatório também aponta deterioração do fluxo de caixa operacional das estatais dependentes desde 2018. Os maiores déficits foram registrados pela Ebserh, seguida por Embrapa, Hospital Nossa Senhora da Conceição e Codevasf.
Além disso, quatro empresas apresentaram insuficiência de caixa operacional em 2025: Codevasf, Infra, EBC e Amazul. Segundo a IFI, quando os recursos repassados pelo Tesouro não são suficientes para cobrir as necessidades financeiras dessas empresas, podem surgir problemas como atraso de pagamentos, geração de restos a pagar e inadimplência.
O relatório também analisou empresas estatais não dependentes, que não recebem recursos do Tesouro para custeio. Nesse grupo, a IFI destacou situações distintas.
Nos Correios, o prejuízo líquido aumentou de R$ 808,8 milhões em 2022 para R$ 8,5 bilhões em 2025, resultado atribuído ao aumento dos custos com pessoal e benefícios, além de fatores que afetaram as receitas da empresa. O órgão alerta que esse cenário pode reduzir a capacidade de pagamento de dividendos à União e até exigir futuros aportes de capital.
Já a Infraero apresentou melhora no período. Após passar por uma fase de reestruturação e perda temporária de receitas com concessões aeroportuárias, a estatal encerrou 2025 com lucro líquido de R$ 316,2 milhões, revertendo o cenário observado nos anos anteriores.
Em resposta ao relatório, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) afirmou que o estudo utiliza dados produzidos pela Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest) e reconheceu que os indicadores contribuem para o monitoramento da governança das empresas públicas.
O ministério ressaltou, porém, que os resultados devem ser analisados conforme as características de cada estatal e destacou que empresas como Ebserh, Embrapa, Conab, Codevasf e CBTU desempenham funções estratégicas em áreas como saúde, pesquisa agropecuária, segurança alimentar, desenvolvimento regional e mobilidade urbana.
Fonte: Jornal O Sul
Segundo o estudo, o resultado primário das estatais passou de superávit em 2022 para um déficit equivalente a 0,07% do PIB em maio de 2026, indicando deterioração da situação fiscal do setor.
Em 2025, as estatais dependentes da União — aquelas que recebem recursos do Tesouro para custear suas atividades — registraram R$ 30,2 bilhões em despesas, sendo R$ 27,5 bilhões destinados a gastos com pessoal e custeio e R$ 2,7 bilhões voltados a investimentos.
Cinco empresas concentraram mais de 77% dessas despesas:
Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh);
Embrapa;
Hospital Nossa Senhora da Conceição;
Companhia Nacional de Abastecimento (Conab);
Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA).
O relatório também aponta deterioração do fluxo de caixa operacional das estatais dependentes desde 2018. Os maiores déficits foram registrados pela Ebserh, seguida por Embrapa, Hospital Nossa Senhora da Conceição e Codevasf.
Além disso, quatro empresas apresentaram insuficiência de caixa operacional em 2025: Codevasf, Infra, EBC e Amazul. Segundo a IFI, quando os recursos repassados pelo Tesouro não são suficientes para cobrir as necessidades financeiras dessas empresas, podem surgir problemas como atraso de pagamentos, geração de restos a pagar e inadimplência.
O relatório também analisou empresas estatais não dependentes, que não recebem recursos do Tesouro para custeio. Nesse grupo, a IFI destacou situações distintas.
Nos Correios, o prejuízo líquido aumentou de R$ 808,8 milhões em 2022 para R$ 8,5 bilhões em 2025, resultado atribuído ao aumento dos custos com pessoal e benefícios, além de fatores que afetaram as receitas da empresa. O órgão alerta que esse cenário pode reduzir a capacidade de pagamento de dividendos à União e até exigir futuros aportes de capital.
Já a Infraero apresentou melhora no período. Após passar por uma fase de reestruturação e perda temporária de receitas com concessões aeroportuárias, a estatal encerrou 2025 com lucro líquido de R$ 316,2 milhões, revertendo o cenário observado nos anos anteriores.
Em resposta ao relatório, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) afirmou que o estudo utiliza dados produzidos pela Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest) e reconheceu que os indicadores contribuem para o monitoramento da governança das empresas públicas.
O ministério ressaltou, porém, que os resultados devem ser analisados conforme as características de cada estatal e destacou que empresas como Ebserh, Embrapa, Conab, Codevasf e CBTU desempenham funções estratégicas em áreas como saúde, pesquisa agropecuária, segurança alimentar, desenvolvimento regional e mobilidade urbana.
Fonte: Jornal O Sul
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