Ortega diz que Nicarágua não realizará mais eleições
20 Jul (Reuters) - O presidente de longa data da Nicarágua, Daniel Ortega, afirmou que o país centro-americano não realizará mais eleições, eliminando a possibilidade de uma disputa eleitoral quando seu mandato terminar no próximo ano e consolidando ainda mais o governo que ele divide com sua esposa.
Ortega, que está no poder ininterruptamente desde 2007, após um mandato presidencial anterior na década de 1980, disse que a medida fechará qualquer caminho para a oposição, embora não tenha fornecido detalhes sobre como ela será implementada.
“Não haverá mais eleições aqui para que eles tentem tomar o governo e o poder”, disse Ortega em um discurso na noite de domingo para comemorar a revolução sandinista de 1979, na qual Ortega ajudou a derrubar a brutal ditadura de Anastasio Somoza.
“Os dias em que partidos apoiados pelos ianques e pelos somozistas voltariam ao poder acabaram — nunca mais”, acrescentou ele, em sua primeira aparição pública em dois meses.
A última eleição na Nicarágua, em 2021, foi amplamente contestada depois que Ortega deteve opositores e líderes empresariais e criminalizou a dissidência.
No ano passado, Ortega consolidou ainda mais seu poder por meio de uma série de reformas constitucionais que incluíram a nomeação de sua esposa, Rosario Murillo, como “copresidente” e a extensão do mandato presidencial para seis anos. Ele e sua esposa controlam praticamente todos os aspectos do governo, incluindo as Forças Armadas e o Poder Judiciário.
O governo de Ortega e Murillo foi acusado pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU de transformar o país “em um Estado autoritário” e de violar sistematicamente os direitos humanos.
A Nicarágua vive uma grave crise política desde abril de 2018, quando Ortega respondeu aos protestos antigovernamentais com uma repressão na qual mais de 300 pessoas foram mortas.
(Reportagem de Raul Cortes e Gabriela Selser; )