Ibovespa recua com tensões no Oriente Médio no radar


Por Igor Sodre

SÃO PAULO, 23 Jul (Reuters) - O Ibovespa operava em leve queda nesta quinta-feira, em meio a um ambiente negativo para os ativos de risco globalmente após nova intensificação do conflito no Oriente Médio, que elevava os preços do petróleo no exterior.

Às 11h53, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, recuava 0,22%, a 177.149,36 pontos, após ceder a 176.293,25 na mínima. Na máxima, chegou a 177.895,77 pontos.

O volume financeiro no pregão somava R$7,17 bilhões.

Os houthis do Iêmen disseram nesta quinta-feira que atacaram dois petroleiros sauditas, ampliando a interrupção do transporte global de petróleo pelo Mar Vermelho e pelo Estreito de Ormuz. Com isso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu uma “forte retaliação militar” contra o Irã e seus aliados.

O novo desdobramento fez os preços do petróleo atingirem o nível mais alto em quase dois meses, chegando a US$100 por barril.

O forte avanço da commodity reacendeu os temores com inflação globalmente, mas também deu impulso para as ações ligadas ao setor na bolsa brasileira, como Petrobras, que avançavam e impediam quedas intensas no Ibovespa.

"O movimento do petróleo é o ponto central. Com certeza acende a preocupação da inflação global e pode, por consequência, limitar o espaço de corte de juros das principais economias do mundo e isso acaba pesando no Ibovespa", disse João Debom, sócio da Alude Capital.

DESTAQUES

• PETROBRAS PN subia 1,74% e PETROBRAS ON avançava 1,98%, acompanhando a alta do petróleo no exterior.

• VALE ON subia 2,24%, ficando entre as maiores altas do Ibovespa. O ganho segue o desempenho do ferro no exterior. O contrato de minério de ferro para setembro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE), na China DCIOcv1, encerrou o pregão diurno com alta de 0,74%, US$110,43 por tonelada.

• CSN ON avançava 2,42%, em linha com o desempenho positivo do minério de ferro no exterior.

• ITAÚ UNIBANCO PN caía 0,77%, em uma sessão negativa para os bancos. BRADESCO PN recuava 0,79% e SANTANDER BRASIL UNIT perdia 0,63%, enquanto BANCO DO BRASIL ON recuava 0,57%.

• AZZAS 2154 ON recuava 2,92%, sendo uma das maiores quedas do Ibovespa, em uma sessão negativa para papéis mais sensíveis aos juros elevados. Analistas do Citi disseram em relatório que esperam que o segundo trimestre de 2026 seja "mais um trimestre fraco" para a companhia, "com queda na receita em relação ao mesmo período do ano anterior e desalavancagem operacional".

(Por Igor Sodré;Edição de Michael Susin e Pedro Fonseca)