Governo Trump diz que Lula “priorizou o próprio ego em detrimento de acordo” e não “negociou com os Estados Unidos de boa-fé”
Em suas redes sociais, o secretário que faz parte da ala ideológica do governo Trump e é conhecido por sua política linha-dura contra países na América Latina, disse que a taxação é o preço que o Brasil paga pelo comportamento de Lula.
Ainda segundo Rubio, o presidente e seu governo “não negociaram com os EUA de boa-fé”.
“Que não haja dúvidas sobre o motivo [das tarifas]: o presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé”, escreveu no X.
“Suas políticas econômicas são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros. Durante o último ano, Lula priorizou seu próprio ego em detrimento de um acordo que vise o bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço a pagar por isso.”
Autoridades ligadas ao governo brasileiro afirmaram, porém, que os americanos nunca estiveram de fato dispostos a ouvir os argumentos brasileiros em relação à acusações feitas pelo USTR.
Segundo uma fonte no Palácio do Planalto, a motivação para as tarifas seria política e os EUA não estariam abertos para uma negociação baseada em elementos comerciais ponderados.
A aplicação das tarifas foi anunciada por Rubio e pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) após fim da investigação sobre práticas comerciais brasileiras consideradas injustas conduzida pelo órgão.
A decisão é chancelada pelo presidente americano, Donald Trump, e entrará em vigor em 22 de julho.
A tarifa foi justificada alegando práticas como favorecimento ao Pix, acesso ao mercado de etanol e problemas relacionados à corrupção e desmatamento.
Segundo o representante americano de comércio, Jamieson Greer, a medida busca proteger os interesses econômicos dos EUA e é necessária “para enfrentar práticas comerciais desleais e garantir que trabalhadores e empresas americanas possam competir em condições justas.”
Ele afirmou ainda que as negociações entre os dois países ao longo do último ano não resolveram as divergências, mas que Washington continua aberto a novas conversas com Brasília.
A lista dos produtos alvo das tarifas é extensa e inclui etanol, máquinas agrícolas, roupas e calçados e material elétrico. Já itens como café, laranja, suco de laranja e carne bovina, por exemplo, ficaram fora da cobrança adicional.
Em nota, o governo brasileiro repudiou a decisão anunciada, disse que o dia 15 de julho “passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável”.
Ainda de acordo com a nota, o Brasil iniciará os trâmites para acionar a Lei de Reciprocidade aprovada pelo Congresso Nacional e levará o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC).
O novo tarifaço, o segundo em um ano, é resultado de uma investigação aberta em julho do ano passado, com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, de 1974.
O mecanismo permite que o governo americano investigue práticas comerciais estrangeiras que considere injustas ou discriminatórias contra empresas e produtos dos Estados Unidos e, ao fim do processo, adote medidas de retaliação como a aplicação de tarifas de importação.
No caso brasileiro, a investigação teve como principais alvos:
* supostas irregularidades relativas ao funcionamento do Pix;
* decisões judiciais contra plataformas digitais norte-americanas;
* tarifas concedidas pelo Brasil a produtos do México e da Índia que prejudicariam os EUA e;
* supostas falhas no combate à corrupção, à pirataria e ao desmatamento ilegal. (Com informações da BBC Brasil)
Fonte Jornal O Sul.
