Bosch inicia produção de amostras em sua primeira fábrica de semicondutores nos EUA


DETROIT, 13 Jul (Reuters) - A fabricante alemã de autopeças e chips Bosch anunciou nesta segunda-feira que está iniciando a produção de amostras em sua primeira fábrica de chips nos Estados Unidos, finalizando um acordo de US$225 milhões com o Departamento de Comércio dos EUA para fortalecer a fabricação nacional de chips de carboneto de silício.

Algumas montadoras e fornecedores de autopeças expandiram a produção nos Estados Unidos sob o governo do presidente Donald Trump, buscando evitar tarifas onerosas e se proteger contra perturbações geopolíticas. A escassez de chips provocou turbulências em todo o setor durante a Covid-19, expondo a forte dependência do setor em relação a um pequeno grupo de fornecedores na Europa e na Ásia.

Em 2023, a Bosch comprou a fábrica de chips em Roseville, Califórnia, da TSI Semiconductors e a reconfigurou, a um custo total de US$2 bilhões, incluindo fundos do Departamento de Comércio, e iniciará a produção comercial ainda este ano.

Paul Thomas, presidente-executivo da Bosch na América do Norte, disse à Reuters que o Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA) foi um dos motivos pelos quais a Bosch aumentou seus investimentos no setor de chips dos EUA, já que as empresas americanas buscam cadeias de suprimentos domésticas mais desenvolvidas.

"Era uma localização realmente boa para nós e achamos que era a coisa certa a fazer", disse Thomas, citando a importância dos chips no decreto de segurança nacional. As montadoras querem trabalhar com empresas "que possam continuar a fornecer componentes de forma robusta e próxima a elas", acrescentou.

O financiamento de US$225 milhões provém do Gabinete do Programa CHIPS do Departamento de Comércio, criado ao abrigo da Lei CHIPS e Ciência de 2022 para expandir a produção nacional de chips e reduzir a dependência das cadeias de abastecimento estrangeiras.

“O governo Trump está empenhado em desenvolver uma cadeia de suprimentos segura aqui nos Estados Unidos, que permita a continuidade da inovação e da liderança competitiva em setores de importância para a segurança nacional e econômica”, afirmou o secretário de Comércio, Howard Lutnick, em comunicado.

Diferentemente dos chips usados ​​em sistemas de infoentretenimento veicular ou em recursos avançados de assistência ao motorista, os chips de carboneto de silício são usados ​​principalmente para gerenciar eletricidade de alta tensão. Em veículos elétricos, eles ajudam a transferir energia da bateria para o motor de forma mais eficiente, reduzindo o calor e as perdas de energia, além de melhorar a autonomia e o desempenho do carregamento.

Fora da indústria automotiva, esses chips também podem ser usados ​​para alimentar centros de dados, disse Thomas. Algumas montadoras e fornecedores estão investindo mais nesse lado do negócio, produzindo baterias para sistemas de armazenamento de energia para ajudar a sustentar o crescimento da inteligência artificial.

Embora esses chips sejam mais procurados para veículos elétricos, cujas vendas estão em baixa, o uso em veículos híbridos e aplicações de defesa também torna o investimento oportuno, disse Thomas.

A Bosch planeja fortalecer suas operações nos EUA com investimentos de até US$7,5 bilhões até 2031, informou a empresa nesta segunda-feira.

(Por Nora Eckert)