Agência Internacional de Energia defende reservas de minerais críticos contra interrupções no fornecimento
A Agência Internacional de Energia (IEA) recomendou que os governos criem ou ampliem reservas estratégicas de minerais críticos para reduzir os riscos de interrupções no abastecimento de setores como indústria automotiva, tecnologia, energia e defesa.
A orientação faz parte do relatório Global Critical Minerals Outlook 2026, divulgado na quinta-feira (16). Segundo a IEA, manter estoques de 11 grupos de minerais considerados essenciais custaria menos de US$ 900 milhões por ano aos países dependentes de importações do principal fornecedor mundial, atualmente a China.
A formação inicial dessas reservas exigiria investimentos estimados em US$ 9,2 bilhões em minerais, produtos processados e componentes. Esses materiais permaneceriam como ativos estratégicos dos governos ou das empresas responsáveis, podendo ser utilizados em situações de emergência ou renovados periodicamente.
A proposta prevê estoques equivalentes a um ano de importações provenientes do principal fornecedor de cada material. O objetivo é garantir o abastecimento da indústria enquanto novos fornecedores são buscados ou a produção doméstica é ampliada.
Segundo a agência, as reservas funcionariam como um mecanismo de resposta rápida, evitando que a falta de pequenas quantidades de insumos interrompa cadeias produtivas inteiras. No entanto, a IEA ressalta que essa estratégia não substitui investimentos em mineração, refino, reciclagem e desenvolvimento tecnológico.
O relatório alerta que uma aplicação integral das atuais restrições chinesas às exportações de terras raras poderia colocar em risco até US$ 6,5 trilhões por ano em produção industrial fora da China. No caso do grafite de grau-bateria, os impactos poderiam ultrapassar US$ 300 bilhões.
Entre os materiais considerados prioritários estão grafite, lítio, cobalto, terras raras, titânio, tungstênio, molibdênio, antimônio, germânio, gálio e materiais ativos para cátodos de baterias.
A IEA destaca que países como Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul já mantêm reservas estratégicas desses insumos para proteger suas indústrias e a segurança nacional. Nos Estados Unidos, apenas em 2025, mais de US$ 7 bilhões foram destinados ao fortalecimento das cadeias de minerais críticos.
A agência também recomenda que os estoques priorizem produtos já processados e prontos para uso industrial, como ímãs permanentes produzidos a partir de terras raras, tornando a resposta a eventuais crises mais rápida e eficiente.
Fonte: Jornal O Sul.
