Taxas sobem com preocupações sobre inflação no Brasil, na contramão dos Treasuries
Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 2 Jun (Reuters) - As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) exibem altas nesta manhã de terça-feira, em especial entre os vencimentos longos, em meio a preocupações do mercado com o cenário para o controle da inflação no Brasil, enquanto no exterior os rendimentos dos Treasuries estão em queda.
Às 10h35, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 14,08%, em alta de 3 pontos-base ante o ajuste de 14,046% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,145%, em alta de 12 pontos-base ante o ajuste de 14,021%. No mesmo horário, o rendimento do Treasury de dez anos -- referência global para decisões de investimento -- cedia 3 pontos-base, a 4,447%.
As taxas futuras sobem desde o início da sessão no Brasil, refletindo aspectos técnicos e posicionamentos em relação à política monetária futura no país.
No caso da taxa do DI para janeiro de 2028, apesar da leve alta ante o ajuste da véspera -- definido por volta das 16h30 --, em relação ao fechamento do dia havia queda, mais em sintonia com o recuo dos rendimentos dos Treasuries no exterior.
Operador ouvido pela Reuters pontuou nesta manhã que o viés de alta para a curva brasileira está ligado às preocupações do mercado sobre o controle da inflação. Ele lembrou que, na véspera, o Itaú Unibanco elevou de 5,2% para 5,4% sua projeção para a inflação em 2026 e de 4,3% para 4,5% em 2027, revisando também a expectativa para a Selic terminal, de 13,25% para 13,75%.
Nas mesas, há a leitura de que mais instituições tendem a elevar as projeções para a Selic em função dos impactos inflacionários da guerra no Oriente Médio.
Na última sexta-feira -- dado consolidado mais recente -- as opções de Copom negociadas na B3 precificavam 82% de probabilidade de novo corte de 25 pontos-base da Selic este mês, contra 15% de chance de manutenção da taxa básica em 14,50% e 2,5% de possibilidade de redução de 50 pontos-base.
No entanto, para a decisão seguinte, em agosto, os percentuais eram de 44,5% para manutenção, 40% para novo corte de 25 pontos-base e 10% para corte de 50 pontos-base. Nos últimos dias, os agentes vêm adotando posições mais cautelosas, vendo menos espaço para a continuidade do ciclo de cortes da Selic para além de junho.
O avanço das taxas dos DIs ante os ajustes nesta terça-feira contrastava com o recuo dos rendimentos dos Treasuries e com a baixa do petróleo Brent no exterior, com investidores à espera de um desfecho para as negociações entre Irã e EUA.
Nesta terça-feira, a agência de notícias iraniana Mehr informou que o Irã ainda analisa uma proposta de acordo com os EUA para interromper a guerra, acrescentando que o país estava adotando uma abordagem "severa" sobre o assunto, em meio à desconfiança em relação a Washington.
Na noite de segunda-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que as negociações continuavam e que haveria um acordo para estender o cessar-fogo e reabrir o Estreito de Ormuz na próxima semana.
No Brasil, também está no radar a notícia de que o governo Trump decidiu propor uma nova tarifa punitiva de 25% sobre diversos produtos do Brasil, após concluir que as práticas do país eram desleais em uma série de questões, do comércio digital ao desmatamento ilegal.
As medidas, previstas na Seção 301 da legislação comercial norte-americana, abrangem áreas como serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, proteção à propriedade intelectual e acesso ao mercado de etanol, informou o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês). A agência tem até 15 de julho para tomar "medidas de resposta" no âmbito da investigação.
SÃO PAULO, 2 Jun (Reuters) - As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) exibem altas nesta manhã de terça-feira, em especial entre os vencimentos longos, em meio a preocupações do mercado com o cenário para o controle da inflação no Brasil, enquanto no exterior os rendimentos dos Treasuries estão em queda.
Às 10h35, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 14,08%, em alta de 3 pontos-base ante o ajuste de 14,046% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,145%, em alta de 12 pontos-base ante o ajuste de 14,021%. No mesmo horário, o rendimento do Treasury de dez anos -- referência global para decisões de investimento -- cedia 3 pontos-base, a 4,447%.
As taxas futuras sobem desde o início da sessão no Brasil, refletindo aspectos técnicos e posicionamentos em relação à política monetária futura no país.
No caso da taxa do DI para janeiro de 2028, apesar da leve alta ante o ajuste da véspera -- definido por volta das 16h30 --, em relação ao fechamento do dia havia queda, mais em sintonia com o recuo dos rendimentos dos Treasuries no exterior.
Operador ouvido pela Reuters pontuou nesta manhã que o viés de alta para a curva brasileira está ligado às preocupações do mercado sobre o controle da inflação. Ele lembrou que, na véspera, o Itaú Unibanco elevou de 5,2% para 5,4% sua projeção para a inflação em 2026 e de 4,3% para 4,5% em 2027, revisando também a expectativa para a Selic terminal, de 13,25% para 13,75%.
Nas mesas, há a leitura de que mais instituições tendem a elevar as projeções para a Selic em função dos impactos inflacionários da guerra no Oriente Médio.
Na última sexta-feira -- dado consolidado mais recente -- as opções de Copom negociadas na B3 precificavam 82% de probabilidade de novo corte de 25 pontos-base da Selic este mês, contra 15% de chance de manutenção da taxa básica em 14,50% e 2,5% de possibilidade de redução de 50 pontos-base.
No entanto, para a decisão seguinte, em agosto, os percentuais eram de 44,5% para manutenção, 40% para novo corte de 25 pontos-base e 10% para corte de 50 pontos-base. Nos últimos dias, os agentes vêm adotando posições mais cautelosas, vendo menos espaço para a continuidade do ciclo de cortes da Selic para além de junho.
O avanço das taxas dos DIs ante os ajustes nesta terça-feira contrastava com o recuo dos rendimentos dos Treasuries e com a baixa do petróleo Brent no exterior, com investidores à espera de um desfecho para as negociações entre Irã e EUA.
Nesta terça-feira, a agência de notícias iraniana Mehr informou que o Irã ainda analisa uma proposta de acordo com os EUA para interromper a guerra, acrescentando que o país estava adotando uma abordagem "severa" sobre o assunto, em meio à desconfiança em relação a Washington.
Na noite de segunda-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que as negociações continuavam e que haveria um acordo para estender o cessar-fogo e reabrir o Estreito de Ormuz na próxima semana.
No Brasil, também está no radar a notícia de que o governo Trump decidiu propor uma nova tarifa punitiva de 25% sobre diversos produtos do Brasil, após concluir que as práticas do país eram desleais em uma série de questões, do comércio digital ao desmatamento ilegal.
As medidas, previstas na Seção 301 da legislação comercial norte-americana, abrangem áreas como serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, proteção à propriedade intelectual e acesso ao mercado de etanol, informou o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês). A agência tem até 15 de julho para tomar "medidas de resposta" no âmbito da investigação.