Índice de inflação PCE dos EUA ultrapassa 4,0% em maio; gastos do consumidor se mantêm sólidos


WASHINGTON, 25 Jun (Reuters) - A inflação nos Estados Unidos aumentou ainda mais em maio, ultrapassando os 4,0% pela primeira vez em três anos uma vez que o conflito no Oriente Médio impulsionou os preços da energia, o que pode levar o Federal Reserve a aumentar a taxa de juros ainda este ano.

O índice de preços PCE subiu 4,1% nos 12 meses até maio, o maior aumento e a primeira leitura acima de 4,0% desde abril de 2023, informou nesta quinta-feira o Escritório de Análise Econômica do Departamento de Comércio. O PCE subiu 3,8% em abril, em dado não revisado.

Economistas consultados pela Reuters previam que avanço do PCE de 4,1% nesta base de comparação. O índice teve alta de 0,4% em maio em relação ao mês anterior, mesma taxa de abril.

A guerra liderada pelos EUA contra o Irã elevou os preços do petróleo, levando a um aumento nos custos da gasolina. Embora os preços do petróleo e da gasolina tenham recuado nas últimas semanas em meio a um frágil cessar-fogo, economistas projetam que a inflação permanecerá elevada por algum tempo.

O presidente Donald Trump e seu homólogo iraniano, Masoud Pezeshkian, assinaram na semana passada um acordo de paz preliminar que reabriria as rotas de transporte de petróleo e outras rotas marítimas que foram bloqueadas pela guerra.

Os consumidores já enfrentavam antes do conflito dificuldades com os preços mais altos decorrentes das tarifas de importação impostas por Trump.

O aumento do custo de vida é um problema político para Trump e seu partido Republicano, que buscam manter o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato em novembro em meio à crescente frustração com sua gestão da economia. Trump venceu a eleição presidencial de 2024 em parte devido à sua promessa de reduzir a inflação.

Excluindo os componentes voláteis de alimentos e energia, o índice de preços PCE teve alta de 3,4% em maio na base anual, depois de subir 3,3% em abril. O núcleo do PCE avançou 0,3% em relação ao mês anterior, após alta de 0,3% em abril.

O banco central dos EUA acompanha o índice PCE para sua meta de 2%. Na semana passada, o Fed manteve sua taxa básica de juros na faixa de 3,50% a 3,75%, mas as projeções trimestrais atualizadas mostraram que as autoridades esperam elevar os custos dos empréstimos ainda este ano, em meio a preocupações crescentes com a inflação.

Os mercados financeiros apostam que um aumento de juros poderá ocorrer já em setembro, com outra alta provável posteriormente. Tanto a inflação geral pelo PCE quanto o núcleo ficaram abaixo de 2% pela última vez no início de 2021.

Apesar da alta inflação, os consumidores mantiveram seus gastos, graças a restituições de impostos mais elevadas este ano, bem como a uma recuperação do mercado de ações, que amenizaram um pouco o impacto do aumento dos preços dos combustíveis. As famílias também estão recorrendo às economias e poupando menos.

Os gastos do consumidor, que representam mais de dois terços da atividade econômica, subiram 0,7% em maio, após um aumento de 0,4% em abril. Embora parte do aumento nos gastos reflita preços mais altos, o consumo parece estar a caminho de acelerar neste trimestre, após desacelerar no trimestre de janeiro a março.

(Reportagem de Lucia Mutikani)