Ibovespa titubeia com exterior negativo e ata do Copom no radar
Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 23 Jun (Reuters) - O Ibovespa mostrava fraqueza nesta terça-feira, acompanhando o viés negativo de praças acionárias no exterior, enquanto investidores também analisavam a ata da última decisão de política monetária do Banco Central.
Por volta de 10h55, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, recuava 0,15%, a 170.117,51 pontos. O volume financeiro somava R$3,08 bilhões.
No exterior, o norte-americano S&P 500 perdia 0,89%, mais uma vez pressionado pelo setor de tecnologia, em meio a receios envolvendo investimentos em inteligência artificial financiados por dívidas, replicando o tom dos pregões na Europa e Ásia.
A pauta brasileira destacava a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da semana passada, quando a Selic foi reduzida para 14,25% ao ano.
No documento, o BC indicou que combinará momentos de pausa e retomada no ciclo de cortes da taxa Selic para levar a inflação à meta de 3% no primeiro trimestre de 2028, um prazo mais longo do que o usual.
De acordo com economistas do Bradesco chefiados por Fernando Honorato, o Banco Central sinalizou que o cenário de convergência da inflação para a meta ficou mais arriscado.
"Há diversas trajetórias de juros que fazem a inflação convergir para a meta e algumas podem incluir uma pausa durante o ciclo de calibração. Os próximos passos permanecem em aberto e dependerão da evolução do cenário", afirmam em relatório.
DESTAQUES
• VALE ON recuava 1,37%, acompanhando a fraqueza dos futuros do minério de ferro na China. Investidores também continuam atentos a eventual mudança no comando do conselho de administração da mineradora após pedido de assembleia pela acionista Previ para decidir sobre o assunto. No setor de mineração e siderurgia, USIMINAS PNA caía 2,74%, CSN ON perdia 1,87% e GERDAU PN mostrava declínio de 1,64%.
• BRADESCO PN avançava 0,45%, enquanto ITAÚ UNIBANCO PN mostrava decréscimo de 0,07%, BANCO DO BRASIL ON cedia 0,2% e SANTANDER BRASIL UNIT perdia 0,48%. BTG PACTUAL UNIT subia 0,23%, tendo ainda no radar operação da Polícia Federal para apurar supostas fraudes envolvendo banco Digimais. No início de abril, o BTG fechou acordo para comprar o Digimais.
• PETROBRAS PN cedia 0,31% e PETROBRAS ON caía 0,55%, em mais uma sessão de declínio dos preços do petróleo no exterior. A estatal assina nesta terça-feira um memorando de entendimentos com a petroleira mexicana Pemex para cooperação estratégica e técnica em projetos na indústria de petróleo e gás.
• MRV&CO ON operava estável, já tendo trocado de sinal algumas vezes, após divulgar que assinou a venda dos empreendimentos Ten Oaks e Rayzor Ranch, no Estado do Texas, Estados Unidos, por US$139 milhões. De acordo com a construtora, a transação representa uma redução de 7,5% no endividamento líquido consolidado da MRV&Co, de US$87 milhões, além de uma diminuição de US$46 milhões em "minority interest".
• ASSAÍ ON avançava 2,08%, enquanto, no setor, GRUPO MATEUS ON e GPA ON, que não estão no Ibovespa, cediam 0,26% e 0,98%. Analistas do UBS BB cortaram os preços-alvos dos papéis, mantendo recomendação neutra para Assaí e Grupo Mateus e de venda para GPA. "Embora, em geral, evitaríamos exposição ao setor neste momento, estruturalmente, preferimos a Assaí em termos relativos", afirmaram em relatório a clientes.
• IRB(RE) ON, que não faz parte do Ibovespa, subia 1,11%, após reportar lucro líquido de R$58,8 milhões em abril, bem acima dos R$21,2 milhões registrados um ano antes. O índice de sinistralidade passou para 51,2%, de 75,5% no mesmo mês do ano passado.
(Por Paula Arend Laier;Edição Michael Susin)