Governo vai propor aumento de etanol na gasolina para tentar reduzir preço do combustível
Com isso, quando aprovado, a cada litro de gasolina comprada na bomba, 32% serão compostos por etanol. Para o consumidor, a mudança é automática. O combustível é misturado pelas empresas revendedoras.
O anúncio faz parte da estratégia do governo para reduzir a dependência de combustíveis importados e minimizar efeitos da guerra do Oriente Médio, que elevou o preço do barril de petróleo no mercado internacional.
O Brasil importa hoje cerca de 15% da gasolina que consome. Por isso, ao elevar a mistura, o consumo de etanol aumenta e da gasolina pura reduz e haveria menos dependência do combustível importado.
Cálculos do Ministério de Minas e Energia apontam que a mudança pode evitar a entrada de cerca de 450 milhões de litros de gasolina no Brasil.
O anúncio foi feito pelo ministro Alexandre Silveira após reunião com o presidente Lula, mais cinco ministros e representantes do setor de etanol nesta terça-feira no Palácio do Planalto.
— Foi uma reivindicação trazida hoje pelo setor e que vai ser submetida por determinação do presidente da República ao próximo Conselho Nacional de Política Energética, que será marcada nos próximos 15 dias, para que a gente possa debater e deliberar sobre o tema — afirmou o ministro.
Segundo Silveira, a ampliação da mistura pode levar o país a zerar as importações de gasolina, colocando o Brasil em condição de autossuficiência no abastecimento.
O ministro argumenta que aumentar a mistura de etanol anidro na gasolina vai contribuir para o processo de descarbonização e diminuir a dependência do Brasil na importação de gasolina, minimizando os impactos da Guerra do Oriente Médio no preço do combustível brasileiro.
— Nós sabemos que não é uma guerra nossa, é uma guerra que não depende de nós, mas que todas as medidas necessárias para que a gente possa ter o menor impacto possível no Brasil — afirmou.
Além de reduzir a dependência externa, o governo avalia que a medida pode melhorar a logística do setor, ao liberar infraestrutura hoje usada para importação de gasolina, abrindo espaço para ampliar a eficiência no transporte de outros combustíveis, como o diesel.
Mistura no diesel
No mês passado, o governo decidiu segurar o aumento da mistura de biodiesel no diesel, de 15% para 16%. Isso só ocorrerá após a conclusão da fase de testes nos motores, de acordo com integrantes do Ministério de Minas e Energia (MME).
Para acelerar o processo, o governo usará R$ 30 milhões de um fundo administrado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. A iniciativa terá a contrapartida do setor privado.
Os recursos serão usados na realização de testes da mistura do biodiesel e do etanol na gasolina, de 30% para 32%, além de reforçar a atividade de monitoramento da qualidade dos combustíveis no país pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).
Segundo o MME, já existem 11 laboratórios para testes mecânicos e cinco para testes físico-químicos. O plano é acelerar os investimentos a partir deste mês e ampliar a capacidade de análise.
A expectativa da pasta é concluir os testes até o fim do ano, quando deverá ser possível elevar a mistura biodiesel no diesel.
Já havia testes para a mistura do etanol na gasolina e, por isso, o CNPE pode subir o percentual em caráter temporário neste mês.
O setor automotivo, porém, tem pedido cautela. O argumento é que parte da frota circulante não foi desenvolvida considerando teores elevados de biocombustível na gasolina. As estimativas são de que há hoje 60 milhões de veículos, quando considerados carros e motocicletas, sendo aproximadamente 12% dos carros e 70% das motocicletas movidos a gasolina. A indústria não se mostrou contra a proposta, mas pediu mais testes. Com informações do portal O Globo.
Fonte: Jornal O Sul
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