Equipes de resgate estrangeiras chegam à Venezuela após terremotos; há 589 mortos confirmados


Por Vivian Sequera e Mayela Armas e Tibisay Romero

CARACAS/LA GUAIRA/MORÓN, 26 Jun (Reuters) - Equipes de resgate e ajuda estrangeiras chegavam à Venezuela nesta sexta-feira, quase dois dias depois que dois terremotos devastadores arrasaram áreas na capital, Caracas, e em seus arredores, forçando os moradores a escavar para salvar parentes, amigos e vizinhos.

O governo estima que centenas de pessoas ainda estejam presas nos escombros, além das 589 mortes confirmadas e dos 2.980 feridos. Um site criado para registrar relatos de pessoas ainda não localizadas contabilizava 50.000 nomes na manhã de sexta-feira.

Os tremores de magnitude 7,2 e 7,5 — dois dos maiores terremotos da história moderna da América Latina — atingiram uma região a cerca de 160 km a oeste de Caracas na noite de quarta-feira, enquanto os venezuelanos aproveitavam um feriado.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos previu mais de 10.000 mortes.

O governo da presidente interina Delcy Rodríguez, que assumiu o poder depois que os Estados Unidos prenderam seu antecessor em uma operação realizada em janeiro, prometeu uma mobilização em larga escala para prestar assistência.

Com a chegada de equipes de resgate estrangeiras, bombeiros, soldados e cidadãos angustiados vasculhavam prédios destruídos, alguns usando as próprias mãos e tochas em locais onde faltava energia elétrica.

“Ele está sob as lajes e não há maquinário para resgatá-lo”, disse Yamileth Jimenez sobre seu filho de 19 anos, preso nos escombros do prédio de apartamentos de sete andares onde moravam, na cidade de La Guaira, no litoral nos arredores de Caracas.

Milhares estão desabrigados em um país já enfraquecido por décadas de turbulência econômica e política que empobreceu a população, provocou um êxodo de milhões de pessoas e deteriorou a infraestrutura e os serviços básicos.

Muitos vivem em favelas precárias nas encostas, chamadas de “barrios”.

“Meu prédio está inabitável e agora não tenho mais nada. Somos só eu e meu filho, e não tenho família no país”, declarou Suhayl Sarquiz, de 50 anos, que perdeu o emprego há alguns meses.

“É uma tragédia”, disse Beatriz Rodríguez, de 60 anos, cujo sobrinho teve as pernas amputadas depois de ser esmagado pelos terremotos. Outro sobrinho morreu.

DORMINDO NAS RUAS

O governo confirmou 250 prédios danificados ou destruídos. Pelo menos oito hospitais, a Cruz Vermelha Venezuelana e a embaixada da França estavam entre os prédios que, segundo relatos, ficaram gravemente danificados.

Quase 7 milhões de pessoas podem ter sido afetadas, informou o órgão de migração da ONU, que estava fornecendo abrigo de emergência e outros suprimentos de socorro.

La Guaira, o Estado litorâneo vizinho a Caracas e onde fica o principal aeroporto do país, estava entre as áreas mais atingidas. Um fluxo de voluntários seguiu pela rodovia Caracas-La Guaira levando água, alimentos e medicamentos.

“Perdemos tudo”, disse Pedro Pérez, 64, dono de uma oficina de estofamento que contou ter perdido tanto sua casa quanto seu negócio e está dormindo na rua com a esposa e os filhos.

“Esperamos que a ajuda chegue logo.”

Perto do epicentro, em Morón, uma cidade litorânea no Estado de Carabobo, casas desabaram e os moradores ficaram sem água nem eletricidade. As famílias resgataram o que puderam, incluindo colchões, televisores e máquinas de lavar.

Nações de todo o mundo prometeram apoio, inclusive algumas que se opuseram à Venezuela durante décadas de isolamento internacional, repressão política e deterioração econômica sob o Partido Socialista no poder.

A presidente interina Delcy Rodríguez, que assumiu o cargo quando os EUA detiveram seu aliado e ex-líder Nicolás Maduro, agradeceu tanto ao presidente dos EUA, Donald Trump, quanto ao presidente russo, Vladimir Putin, por seus esforços.