Definição da OMI da pegada de carbono do etanol de milho brasileiro é um marco, afirmam produtores
Por Oliver Griffin
SÃO PAULO, 15 Jun (Reuters) - A decisão da Organização Marítima Internacional (OMI) de definir a pegada de carbono do etanol de milho brasileiro é um passo histórico que pode posicionar o transporte marítimo como um importante mercado para o setor no futuro, afirmaram executivos da indústria à Reuters.Em maio, a OMI definiu o valor padrão da pegada de carbono do etanol de milho brasileiro em 20,8 gramas de dióxido de carbono equivalente (CO2e) por megajoule, referindo-se especificamente ao biocombustível produzido a partir da segunda safra de milho do país.
A intensidade média atual de gases de efeito estufa no transporte marítimo é de 93,3 gramas de CO2e por megajoule, de acordo com a organização.
O valor definido pela OMI para o etanol de milho brasileiro é um passo significativo à medida que a agência elabora regulamentações para combustíveis de baixo carbono, disse o vice-presidente de Trading da Inpasa, Gustavo Mariano.
"Foi um marco histórico, simbólico", disse Mariano em entrevista, acrescentando que isso consolida a posição do etanol de milho brasileiro e sul-americano como um combustível viável para a descarbonização.
Por décadas, a indústria de etanol do Brasil foi dominada pelos produtores de cana-de-açúcar do país. No entanto, de acordo com a associação setorial Unem, a produção de etanol de milho disparou para quase 10 bilhões de litros na safra de 2025/26, ante 2,65 bilhões de litros no início da década.
Assim que os biocombustíveis receberem aprovação para uso na navegação, os produtores poderão se beneficiar de possíveis prêmios sobre combustíveis mais ecológicos, disse o presidente-executivo da FS, fabricante de etanol de milho, Rafael Abud.
"Nós temos investido muito em todos os aspectos que podemos para descarbonizar o nosso produto", disse Abud, citando esforços para reduzir as emissões decorrentes do uso de biomassa, eficiência industrial e um projeto de bioenergia com captura e armazenamento de carbono que poderia, eventualmente, tornar o etanol da FS carbono negativo.
A escala da indústria global de transporte marítimo significa que o etanol de milho de segunda safra do Brasil não entrará em concorrência com outros biocombustíveis, como o etanol de cana-de-açúcar e o biodiesel, mas, ao contrário, os complementará, afirmaram os executivos.
"Se a gente for transformar todo o mercado de bunker, que é do mundo, em etanol equivalente, são quase 400 bilhões disso. São volumes tão grandes que, definitivamente, para uma transição eficiente, nós precisamos de todos os biocombustíveis que sejam sustentáveis."