Acordo com Irã inclui fundo de US$300 bilhões, com mais da metade já comprometido, diz fonte


Por Andrew Mills e Maha El Dahan e Parisa Hafezi

DUBAI, 17 Jun (Reuters) - Um fundo privado de US$300 bilhões, destinado a estimular investimentos no Irã, está previsto no acordo-quadro entre EUA e Irã, e mais da metade desse montante já foi comprometido, informou à Reuters uma fonte com conhecimento direto do acordo.

O fundo tem como objetivo oferecer a ambas as partes um incentivo econômico para que cheguem a um acordo final que ponha fim à guerra, disse a fonte, que falou sob condição de anonimato, já que o plano ainda não foi anunciado, enquanto Washington e Teerã se preparam para assinar o acordo na sexta-feira.

A existência do fundo já havia sido divulgada anteriormente, mas a Reuters revela pela primeira vez que mais da metade do montante já foi comprometida e que ele será composto inteiramente por recursos do setor privado.

Autoridades norte-americanas e iranianas afirmaram no domingo que chegaram a um acordo sobre um acordo-quadro para pôr fim à guerra, que teve início quando forças de EUA e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro, suspender o bloqueio dos EUA ao Irã e reabrir o Estreito de Ormuz, uma rota de abastecimento fundamental para o petróleo e o gás.

O novo fundo é um veículo de investimento privado, não um programa de reconstrução ou reparações, e não incluirá dinheiro público nem subsídios, disse a fonte, acrescentando que empresas sediadas nos EUA, nos países árabes do Golfo, na Ásia, na América do Sul e na África concordaram em comprometer-se com o financiamento.

Os investimentos prometidos abrangem os setores de energia, logística, manufatura e transporte, segundo a fonte.

O presidente dos EUA, Donald Trump, rejeitou na quarta-feira qualquer caracterização do fundo como um investimento dos EUA. “Não estamos investindo, não estamos colocando nem 10 centavos”, disse ele, acrescentando que também não estava pedindo aos países do Golfo que investissem.

“Eu diria que eles não farão isso por um tempo, até descobrirem como as coisas vão se comportar. É uma questão de comportamento, mas não estamos investindo”, declarou ele à margem da cúpula do G7 na França.

Uma porta-voz da Casa Branca havia mencionado anteriormente uma entrevista da CBS com o vice-presidente JD Vance, na qual ele disse que o Irã poderia ter acesso a um fundo de reconstrução de US$300 bilhões apoiado pelos países do Golfo, caso cumpra o acordo.

Uma fonte iraniana de alto escalão afirmou à Reuters que Teerã havia inicialmente solicitado US$400 bilhões dos EUA como indenização por danos de guerra, mas Washington disse que não forneceria esse montante.

Surgiu então a ideia do fundo, que se chamará Fundo de Reconstrução e Desenvolvimento.

O mecanismo prevê que os países da região contribuam de várias maneiras, disse a fonte iraniana. Isso inclui a obtenção de empréstimos, o estabelecimento de linhas de crédito ou o financiamento direto da reconstrução de locais danificados pela guerra, incluindo instalações como o complexo siderúrgico de Mobarakeh, refinarias, aeroportos e, de maneira mais ampla, a infraestrutura afetada pelo conflito.

O Irã, uma das maiores economias do Oriente Médio, praticamente não atraiu investimentos estrangeiros diretos significativos nas últimas quatro décadas, tendo sido excluído dos mercados de capitais globais por sucessivas ondas de sanções dos EUA e da comunidade internacional.

O país possui a segunda maior reserva comprovada de gás natural do mundo e a quarta maior reserva comprovada de petróleo.

(Reportagem adicional de Steve Holland em Evian-Les-Bains, França; Gram Slattery em Washington e Saad Sayeed em Karachi)