Venda de aço plano por distribuição cai em abril, estoques seguem altos, diz Inda


SÃO PAULO, 21 Mai (Reuters) - A venda de aços planos por distribuidores brasileiros em abril caiu acima do esperado pelo setor, recuando 10,8% ante março e 1% na comparação anual, para 314 mil toneladas, enquanto o nível de estoques seguiu bem acima da média, segundo dados apresentados nesta quinta-feira pelo Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda).

O setor, tradicionalmente visto como responsável por cerca de 30% do consumo de aço plano produzido no Brasil, terminou abril com um volume estocado de 1,16 milhão de toneladas, suficiente para 3,7 meses de comercialização, ante uma média histórica de três meses.

Mas com uma expectativa de crescimento das vendas da ordem de 10% este mês ante abril, aliada à nova tendência de queda nas importações após a aplicação de vários direitos de antidumping contra a China nos últimos meses, o cenário é de gradual melhora para o setor siderúrgico, disse o presidente do Inda, Carlos Loureiro, a jornalistas.

"A tendência é o número de importação cair fortemente daqui para frente", disse Loureiro, citando queda sensível no volume de aço a ser descarregado no porto de São Francisco do Sul (SC), principal porta de entrada de material siderúrgico importado no país.

Segundo ele, em uma visão "conservadora", as importações de aço plano pelo Brasil este ano podem cair 20%. "Mas podem chegar a cair 40%, 50%", afirmou, mencionando a certeza de que o governo federal vai decidir entre final de junho e começo de julho aplicar taxas antidumping contra aço laminado a quente da China.

Em abril, as importações de aços planos caíram 43,2% sobre um ano antes, para 166,6 mil toneladas, acumulando no quadrimestre recuo de 1,9%, para 1,07 milhão de toneladas, segundo os dados do Inda.

Analistas do Citi citaram que está havendo uma "notável mudança estrutural" nas importações de aços planos, com a participação da China caindo acentuadamente após as medidas antidumping e afirmaram que a confiança do mercado brasileiro está "cada vez mais positiva, com novos aumentos de preços esperados".

Os dados do Inda mostram que a participação da China no total de importações de aço plano pelo Brasil em abril caiu para 39,1% (77 mil toneladas) e que o país praticamente dividiu com a Coreia do Sul (33,1%) e o Vietnã (23,9%) o total de material que veio ao país no mês passado.

Em abril de 2025, a participação da China nas importações de aço plano do Brasil foi de 76,1% (223,5 mil toneladas), enquanto a Coreia do Sul teve fatia de 7,8% e o Vietnã, de 0,5%, segundo os números do Inda.

Para Loureiro, após as medidas de defesa comercial do Brasil, "não haverá nenhum produto (siderúrgico) de origem chinesa viável de ser importado pelo Brasil".

"Havia 190 mil toneladas mensais ao Brasil e isso criava uma rota constante de material vindo da China para o Brasil, o que facilitava importações 'piggyback' com outras cargas ao Brasil porque havia esse circuito azeitado", disse Loureiro.

Segundo ele, vai levar tempo para o ajuste de novas rotas viáveis pelos importadores e, mesmo assim, "esses novos fornecedores estão trabalhando com preços bem acima dos chineses". Ele citou que os valores praticados por Coreia do Sul e Vietnã são "no mínimo" US$40 a US$50 mais altos do que os da China e os fretes são mais caros.

Com a queda da concorrência dos importados, as siderúrgicas nacionais que há anos reclamam de competição desleal, começaram um movimento de alta nos preços locais. Loureiro citou rumores do mercado indicando uma nova onda de reajustes a partir de junho, depois de aumentos aplicados por ArcelorMittal, Gerdau, CSN e Usiminas.

"Se se confirmar essa queda grande de material importado, deve haver novos reajustes", disse o presidente do Inda.

Já as exportações brasileiras de aço plano saltaram 74,5% em abril sobre um ano antes, para 887,5 mil toneladas, acumulando no ano aumento de 22,6%, para 3,07 milhões de toneladas.

O principal comprador seguiu sendo os Estados Unidos, que ficou com participação de 54,5% do material exportado pelo Brasil em abril, principalmente placas para laminação. Em seguida aparecem Argentina (11,2%) e países europeus, notadamente Espanha (8,7%) e França (8,1%).

Segundo Loureiro, os países europeus estão comprando mais do Brasil após medidas de defesa comercial adotadas contra a China, que incluíram redução de cotas de importação e aumento de imposto de importação para 50% para volumes que superarem as cotas.

"A grande maioria das usinas estava com fornos parados e isso está fazendo com que tenham que importar placas, principalmente do Brasil", disse o presidente do Inda sobre os produtores europeus de aço.

(Por Alberto Alerigi Jr.; com reportagem adicional e edição de Paula Arend Laier)