Preços historicamente altos do café podem levar a crises futuras, diz presidente da Illycaffè

Por Oliver Griffin

SÃO PAULO, 7 Mai (Reuters) - Os preços historicamente altos do café criam uma situação delicada que pode levar a crises futuras, disse Andrea Illy, presidente da torrefadora italiana Illycaffè, a jornalistas em São Paulo, nesta quinta-feira.

Illy, que se reuniu com o ministro da Agricultura do Brasil, André de Paula, na quarta-feira, disse que o país está enfrentando melhor os desafios causados por condições climáticas extremas, citando variedades de café mais resistentes e melhores práticas agrícolas.

"Também estamos vivendo um cenário de preços historicamente altos; isso cria uma situação delicada", disse ele em uma coletiva de imprensa. "Há um risco de expansão excessiva da produção e futuras crises de preços, bem como o risco oposto de redução da oferta causada por eventos climáticos extremos."

O café arábica atingiu uma mínima de 18 meses de US$ 2,7280 por libra-peso na quinta-feira, mas os preços ainda estão elevados em comparação com a última década.

Depois de visitar fazendas de café durante sua viagem ao maior produtor de café do mundo, Illy disse que espera uma safra abundante devido à temporada de alta do ciclo bianual do arábica e às melhores condições climáticas. Ele disse que notou um aumento no plantio.

"Observamos um número maior de novas áreas, uma consequência de preços mais altos e mais atraentes para aumentar a produção", disse.

Para 2026, o governo projeta a produção total de café do Brasil, incluindo os cafés arábica e canéfora, em um recorde de 66,2 milhões de sacas de 60 kg.

Situações geopolíticas complexas, como a guerra do Irã, evidenciaram a fragilidade das cadeias de suprimentos, disse Illy.

"Isso destaca a necessidade de aumentar a eficiência, a autonomia produtiva e a resiliência no campo", disse ele. "A resiliência hoje também significa produzir melhor, com menos dependência de cenários extremos."

A agricultura regenerativa tem desempenhado um papel importante na redução da exposição do setor cafeeiro brasileiro aos problemas enfrentados pela alta de preços dos fertilizantes importados, disse Illy.

Os custos dos fertilizantes aumentaram muito durante a guerra no Irã, afetando fortemente o Brasil, que importa cerca de 85% a 90% de suas necessidades de fertilizantes.

(Reportagem de Oliver Griffin)