Ministro diz que Plano Safra terá “cuidado especial” com juros e vê alta de recursos


SÃO PAULO, 4 Mai (Reuters) - O Plano Safra 2026/27, que deverá ser anunciado no início de junho, terá um “cuidado especial” com as taxas de juros, enquanto o governo sabe das dificuldades enfrentadas pelo “alto grau de endividamento” do produtor rural, disse o ministro da Agricultura, André de Paula, nesta segunda-feira.

O ministro preferiu não detalhar os recursos que estarão disponíveis para os produtores, mas acredita ser "factível" que eles poderão superar os volumes do plano anterior.

“O nosso objetivo é claro, ter um Plano Safra consistente, vigoroso, com números que possam ser ainda mais impactantes do que os que conseguiram nos últimos anos, fazer isso tendo especial cuidado com a questão dos juros, que é o que inviabiliza hoje o produtor rural de tomar o crédito que a gente oferece”, afirmou Paula, uma jornalista, na sede da Sociedade Rural Brasileira (SRB).

O ministro comentou que o momento é de “enfrentamento de muitas adversidades”.

Questionada sobre o programa Desenrola, de renegociação de dívidas, Paula afirmou que este "é um instrumento importante que o governo pode disponibilizar para mitigar os efeitos dessa individualização".

“Vou defender que isso possa ter como foco o setor rural”, acrescentou.

Ao responder pergunta sobre um pedido da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que sugeriu um aumento de 5% nos recursos do Plano Safra 2026/27 em relação ao anterior, para R$ 623 bilhões, o ministro considera ser "factível" um avanço nos montantes do programa.

"Acho que é factível ter um número mais expressivo... estamos trabalhando nesse sentido, mas nessa questão um ministro da Agricultura nunca fala antes de ouvir o da Fazenda", disse.

(Por Roberto Samora; edição de Marta Nogueira)