Justiça francesa condena Airbus e Air France por tragédia que matou 228 pessoas no voo Rio-Paris, em 2009


A Justiça da França condenou a Airbus e a Air France por homicídio culposo no caso do voo AF447, acidente que ocorreu em 2009 durante a rota Rio de Janeiro–Paris e deixou 228 mortos, entre eles 58 brasileiros. A decisão marca mais um capítulo de uma disputa judicial que se arrasta há 17 anos e determina que as duas empresas sejam consideradas as únicas responsáveis pela tragédia, além da aplicação da multa máxima prevista pela legislação francesa, de 225 mil euros para cada companhia. Apesar da condenação, familiares das vítimas classificaram os valores como simbólicos diante do porte financeiro das empresas e ainda existe a possibilidade de novos recursos judiciais.

O voo desapareceu dos radares em 1º de junho de 2009, causando grande repercussão mundial por envolver um Airbus A330-200, aeronave considerada uma das mais modernas da época. As caixas-pretas só foram encontradas dois anos depois, no fundo do Oceano Atlântico. As investigações apontaram que o congelamento das sondas Pitot, responsáveis por medir a velocidade da aeronave, causou falhas nas informações recebidas pelos pilotos. Diante disso, a tripulação teria reagido incorretamente, levando o avião a uma situação de estol, quando a aeronave perde sustentação.

Durante o julgamento, a acusação sustentou que houve falhas tanto da fabricante quanto da companhia aérea. A Airbus foi acusada de não ter tratado com rapidez suficiente problemas já conhecidos envolvendo as sondas Pitot, enquanto a Air France teria falhado no treinamento dos pilotos e na orientação adequada sobre riscos relacionados a esse tipo de situação. Segundo o Ministério Público francês, esses fatores contribuíram diretamente para a ocorrência do acidente, considerado até hoje o maior desastre aéreo da história da França.

Fonte: Jornal O Sul