Ibovespa mostra indefinição com negociação EUA-Irã e IPCA-15; Copasa cai 6%

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO, 27 Mai (Reuters) - O Ibovespa oscilava sem uma tendência firme nesta quarta-feira, marcada pela queda nos preços do petróleo no exterior, em meio a noticiário sobre negociações entre Estados Unidos e Irã, e dados mostrando inflação acima das previsões no Brasil.

Na cena corporativa, Copasa figurava entre os destaques negativos, após indicar que fará mudanças em sua oferta de ações, assim como ISA Energia, na esteira de decisão suspendendo indenização bilionária a transmissoras de energia.

Por volta de 12h, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, tinha variação positiva de 0,15%, a 176.847,68 pontos. Na máxima até o momento, chegou a 177.640,02 pontos. Na mínima, a 176.146,47 pontos. O volume financeiro no pregão somava R$6,96 bilhões.

No exterior, o barril do petróleo sob o contrato Brent recuava 3,07%, a US$96,52, em meio a expectativas de progresso nas negociações para encerrar o conflito que começou no Oriente Médio no final de fevereiro, com ataques dos EUA e de Israel contra o Irã.

A TV estatal iraniana divulgou mais cedo que Teerã obteve um esboço de uma estrutura inicial não oficial para um memorando de entendimento com os EUA. Pela estrutura do esboço, o Irã restauraria o transporte comercial pelo Estreito de Ormuz aos níveis anteriores à guerra no prazo de um mês, enquanto os EUA retirariam as forças militares das proximidades do país e suspenderiam o bloqueio naval.

A Casa Branca, porém, afirmou que a reportagem não é "verdade" e que o memorando citado é "uma fabricação completa".

Em paralelo, dados de rastreamento de navios também mostraram na véspera que três petroleiros com gás natural liquefeito passaram pelo Estreito de Ormuz nos últimos dias, rumo ao Paquistão, China e Índia, além de um superpetroleiro com petróleo bruto iraquiano para a China, o que corroborou esperanças de que a hidrovia possa ter o fluxo normalizado, ampliando a oferta global.

Em Wall Street, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, rondava a estabilidade, após renovar recorde na véspera, enquanto o rendimento do título de 10 anos do Tesouro dos EUA marcava 4,4748%, de 4,491% na véspera.

No Brasil, o IPCA-15 subiu 0,62% em maio, acima do esperado e maior alta para o mês em dez anos, sob pressão dos preços de energia elétrica e alimentos, com a taxa em 12 meses atingindo 4,64%, superior ao teto da meta do Banco Central.

DESTAQUES

• COPASA ON caía 5,91%, após divulgar que a oferta pública secundária de ações registrada na semana passada será modificada, após instruções do acionista vendedor na operação, o governo do Estado de Minas Gerais. A companhia não divulgou quais mudanças serão feitas. Na noite de segunda-feira, acionistas da Aegea divulgaram a criação de um consórcio para fazer uma oferta por 30% da Copasa. Notícias na mídia também citaram oferta da Equatorial. O cronograma divulgado anteriormente previa a definição do investidor de referência nesta quarta-feira.

• ISA ENERGIA PN cedia 1,33% e AXIA ON recuava 0,78%, tendo no radar decisão da 7ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) de anular parte de uma portaria do governo federal que trata de uma indenização bilionária que vem sendo paga a transmissoras de energia elétrica, via tarifas, e determinar que os valores já pagos às empresas devem ser compensados aos consumidores. A medida se refere ao componente financeiro da chamada Rede Básica Sistema Existente (RBSE) e tem impacto para as receitas principalmente de Axia Energia e ISA Energia, que ainda detinham fluxos bilionários a receber nos próximos anos.

• PETROBRAS PN recuava 1,4% e PETROBRAS ON perdia 1,37%, na esteira da queda do petróleo no exterior. No setor, PRIO ON cedia 1,54%, mas PETRORECONCAVO ON subia 0,59% e BRAVA ON era negociada em alta de 0,4%.

• ITAÚ UNIBANCO PN subia 1,52%, com bancos entre os principais suportes para o Ibovespa. BRADESCO PN avançava 1,29%, BANCO DO BRASIL ON tinha elevação de 1,04% e SANTANDER BRASIL UNIT mostrava acréscimo de 1,35%.

• EMBRAER ON avançava 1,05%, retomando a tendência de recuperação iniciada no último dia 20, após uma pausa na véspera. Analistas do Bradesco BBI destacaram que a queda dos papéis desde o final de janeiro foi muito além das revisões efetivas nos fundamentos e que veem uma janela rara de entrada nos papéis. "Vemos catalisadores de curto prazo que podem levar a um 're-rating' das ações, incluindo possíveis pedidos do cargueiro C-390 pela Índia", afirmaram.

• AMBEV ON valorizava-se 0,9%, também entre as maiores contribuições positivas. Analistas do BTG Pactual elevaram a recomendação dos papéis para compra nesta semana, destacando que a capacidade da Ambev de impor preços, sustentada por um portfólio que a concorrência não consegue igualar, finalmente parece estar dando resultados.

• VALE ON subia 0,17%, em sessão de fraqueza dos futuros do minério de ferro na China.

(Por Paula Arend Laier; edição Alberto Alerigi Jr.)