Governo federal tira proveito da guerra no Irã com a alta no preço do petróleo arrecadando mais R$ 100 bilhões


Sob os efeitos da guerra no Oriente Médio e da alta do petróleo, o Brasil pode receber um reforço bilionário nas contas públicas em 2026. Estimativas apontam que, com o barril do petróleo Brent em torno de US$ 90 e o dólar a R$ 5,20, a arrecadação adicional ligada ao setor extrativo mineral pode chegar a R$ 71 bilhões. Se o barril atingir média de US$ 100, esse valor pode subir para R$ 104 bilhões. Em comparação, a receita do setor em 2025 foi de R$ 226 bilhões, o que representaria um aumento entre 30% e 45%.

Como exportador líquido de petróleo e distante do centro do conflito, o Brasil tende a ser beneficiado pelo aumento internacional da commodity. O movimento pode fortalecer as contas externas, estimular a atividade econômica e gerar um importante ganho fiscal no curto prazo.

Mas esse cenário também traz efeitos negativos. O petróleo mais caro aumenta custos de combustíveis e fertilizantes — produtos relevantes para a economia brasileira — pressionando a inflação. Esse impacto pode alterar expectativas do mercado sobre juros e elevar os custos da dívida pública, reduzindo parte do ganho obtido com a arrecadação extra.

Segundo especialistas da FGV, existe um equilíbrio delicado a ser administrado: aproveitar o chamado “bônus fiscal” sem ampliar efeitos negativos sobre inflação e atividade econômica. Parte dessa receita ainda será compartilhada com estados e municípios, e a estimativa é que aproximadamente metade dos recursos fique com a União.

Os cálculos consideram receitas como royalties, participações especiais, óleo-lucro, impostos e dividendos pagos pela Petrobras ao governo. Embora o choque internacional possa favorecer empresas do setor e as contas públicas, o impacto para a população tende a ser diferente: preços mais altos em itens essenciais podem afetar diretamente o custo de vida e o orçamento das famílias.

Fonte: Jornal O Sul