Governo deve decidir em junho sobre aumento da mistura de etanol na gasolina, diz ministro


RIO DE JANEIRO, 25 Mai (Reuters) - Uma reunião do conselho de ministros do CNPE para discutir um aumento na mistura de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% deve ocorrer na primeira quinzena de junho, e uma decisão confirmando o avanço da mescla é esperado, afirmou o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Rosa, nesta segunda-feira.

Segundo ele, a discussão sobre o estabelecimento do E32 será uma mera formalidade porque o aumento da mistura de etanol na gasolina tem apoio de todos, no momento em que o governo brasileiro adota medidas para mitigar os efeitos da alta do petróleo.

"Já está na pauta, o governo já anunciou a medida. Falta deliberar... é uma formalidade porque imagino que no CNPE não vai ter oposição", afirmou Rosa a jornalistas durante evento da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).

“No caso do etanol, não há dúvida, porque até 32% não há problema para motorização”, disse.

A possibilidade de um aumento da mistura já foi divulgada pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou no final de abril que a mescla deveria aumentar.

Uma reunião anterior do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) chegou a ser marcada, mas teve de ser adiada devido à visita de Lula aos Estados Unidos, segundo Silveira.

O centro-sul, principal região produtora de etanol do Brasil, poderá produzir um volume recorde de etanol neste ano, com usinas destinadas mais cana para o biocombustível, em detrimento do açúcar, com as produções agrícolas mais elevadas e também com o crescimento da produção de etanol de milho.

O ministro do Desenvolvimento disse ainda que um aumento maior da mistura, para 35%, depende de estudos adicionais.

Ele opinou que os impactos dos preços do petróleo estão contidos e que não há riscos de explosão das cotações domésticas, já que o Brasil anunciou planos de subvencionar os valores.

Mas adiantou que, se necessário, outras medidas poderiam ser tomadas em relação aos prazos e valores dos subsídios.

CARNE

Rosa afirmou que o governo brasileiro tem "bom" diálogo com a China para uma revisão da cota de exportação de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina que limita os embarques do Brasil para o seu principal mercado.

Ele disse que essa revisão da segurança da China, que colocou uma tarifa de 55% para exportações extracota, poderia acontecer no próximo ano.

Falando sobre acordos comerciais, Rosa afirmou que o próximo será entre o Mercosul e o Canadá, e que 60% dos termos desse pacto já estão acertados. As negociações puderam ser concluídas ainda em 2026, segundo ele.

(Por Rodrigo Viga Gaier; texto de Roberto Samora; edição de Letícia Fucuchima)