Eventual exigência de reserva dos bancos contra riscos no sistema de crédito seria gradual, diz diretor do BC


BRASÍLIA, 25 Mai (Reuters) - O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, disse nesta segunda-feira que a autarquia segue discutindo a possibilidade de ajustar um mecanismo que exige reserva de recursos por bancos para mitigar riscos no sistema de crédito, ressaltando que eventual mudança seria “muito gradual”.

O BC tem mantido em 0% o valor do chamado Adicional Contracíclico de Capital Principal (ACCP), apesar de ter indicado no ano passado que o patamar poderia ser elevado.

O ACCP é um instrumento de mitigação de riscos relacionados a períodos de crescimento acelerado do crédito, quando há otimismo econômico, ou a fases de redução demasiada da oferta em tempos de pessimismo. Em geral, a reserva é acumulada pelos bancos em momentos de expansão do crédito para ser consumida na fase de retração, suavizando as tendências.

Em maio de 2025, a autarquia informou que vinha estudando sistematicamente que estabelece um valor positivo para o ACCP aplicável a períodos sem acúmulo significativo de riscos financeiros, indicando que a medida poderia ser aplicada em um futuro próximo.

O BC disse na ocasião que o objetivo seria ampliar o espaço de atuação prudencial, ressaltando que a medida auxiliaria os bancos a absorver perdas causadas por reversão aguda do ciclo de crédito, valorização excessiva dos preços dos ativos ou eventos inesperados.

(Por Bernardo Caram, edição de Isabel Versiani)