China pode cortar até 25% da importação de soja brasileira até 2030
Uma nova estratégia de segurança alimentar da China pode gerar impactos relevantes para o agronegócio brasileiro nos próximos anos. Segundo o relatório China’s Food Future, a expectativa é que o país asiático reduza em até 25% suas importações de soja até 2030, como parte de um plano voltado para diminuir a dependência externa de alimentos e commodities agrícolas.
A estratégia chinesa envolve aumento da produção interna, avanços em produtividade, mudanças na alimentação animal e investimentos em biotecnologia e proteínas alternativas. Atualmente, a China é responsável por cerca de 60% das importações globais de soja e representa o principal destino das exportações brasileiras do grão.
O Brasil pode ser um dos países mais afetados pelas mudanças. Hoje, cerca de 71% da soja exportada pelo país tem como destino o mercado chinês, enquanto aproximadamente 54% das exportações brasileiras de carne bovina também seguem para a China. O estudo estima uma redução de aproximadamente 23,5 milhões de toneladas nas importações chinesas de soja até 2030.
Especialistas apontam que o cenário não representa necessariamente uma retração do agronegócio brasileiro, mas reforça a necessidade de adaptação do setor, com diversificação de mercados, aumento da produtividade e maior atenção a fatores como sustentabilidade e rastreabilidade.
O relatório também projeta uma transformação importante no consumo de alimentos no país asiático. Até 2050, proteínas alternativas poderão representar entre 35% e 55% do consumo total de proteínas na China, alterando o equilíbrio global do mercado de alimentos.
Fonte: Jornal O Sul
