Bancos elevam provisões contra calotes em 33%, em meio a cenário de guerra e juros altos
Os principais bancos do Brasil aumentaram as provisões para perdas no primeiro trimestre de 2026 diante do cenário de crédito mais apertado e da taxa Selic elevada, atualmente em 15%. Banco do Brasil, Santander, Itaú Unibanco e Bradesco somaram R$ 44,8 bilhões em despesas com provisões para devedores duvidosos, alta de 33% em relação ao mesmo período do ano passado.
Além do impacto dos juros altos sobre famílias e empresas, o setor também enfrenta reflexos da guerra no Oriente Médio e da alta do petróleo, fatores que dificultam uma redução da taxa básica de juros pelo Banco Central.
O Banco do Brasil apresentou o cenário mais preocupante, com custo de crédito de R$ 18,9 bilhões entre janeiro e março, avanço de 86% em um ano. O agronegócio, principal carteira do banco, segue pressionado pela queda no preço das commodities e por eventos climáticos extremos. A inadimplência rural da instituição mais que dobrou no período.
Nos bancos privados, a alta da inadimplência foi mais moderada. Santander e Bradesco registraram aumento nos atrasos, enquanto o Itaú manteve estabilidade, apesar de dificuldades em pequenas e médias empresas.
Dados do Banco Central mostram que a inadimplência total do crédito no Brasil chegou a 4,3% em março, acima dos 3,3% registrados um ano antes. Diante desse cenário, o governo federal lançou uma nova etapa do programa Desenrola para renegociação de dívidas.
Analistas avaliam que o programa pode ajudar os bancos a recuperar parte dos créditos, mas não deve resolver o elevado endividamento das famílias brasileiras.
Fonte: Jornal O Sul
