Taxas dos DIs terminam sessão longe das máximas com movimentação para reabertura de Ormuz

 


Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 2 Abr (Reuters) - As taxas dos DIs fecharam a quinta-feira próximas da estabilidade, distantes dos maiores níveis do dia, com o mercado reagindo por um lado à promessa de mais ataques dos EUA ao Irã e por outro às movimentações para reabertura do Estreito de Ormuz.

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,745%, com leve alta de 2 pontos-base ante o ajuste de 13,723% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 13,875%, com elevação de 2 pontos-base ante 13,858%.

No início do dia as taxas foram impulsionadas pelo discurso da noite de quarta-feira do presidente dos EUA, Donald Trump, que prometeu em rede nacional ataques agressivos ao Irã nas próximas duas ou três semanas, para colocar o país "de volta à Idade da Pedra, onde eles pertencem".

O discurso de Trump, que contrastou com falas anteriores de que a guerra seria encerrada em breve, deu força ao petróleo em Londres e em Nova York, impulsionando os rendimentos dos Treasuries, em meio à leitura de que a guerra possa impulsionar a inflação e exigir juros em níveis mais altos nos EUA.

Os juros futuros no Brasil acompanharam o movimento. A taxa do DI para janeiro de 2035 atingiu a máxima intradia de 14,00% (+14 pontos-base) às 9h, logo na abertura.

No fim da manhã foram renovadas as esperanças dos investidores de uma reabertura do Estreito de Ormuz -- por onde circulam 20% do petróleo negociado entre os países.

A agência de notícias oficial IRNA, do Irã, informou que o país está elaborando um protocolo com Omã para monitorar o tráfego no Estreito, enquanto o Reino Unido disse que cerca de 40 países estão discutindo uma ação conjunta para reabrir Ormuz.

Em reação, a taxa do DI para 2035 despencou para a mínima de 13,810% (-5 pontos-base) às 11h42. Durante a tarde, voltou a se aproximar da estabilidade, em meio à volatilidade gerada pelo noticiário sobre a guerra.

“A fala de Trump ontem, que voltou a endurecer o discurso, quase condicionando a paz com o Irã aos termos dos EUA, fez o mercado precificar um cenário mais inflacionário”, comentou à tarde Rafael Sueishi, head de renda fixa da Manchester Investimentos.

“Mas já vem ganhando força também a narrativa de um impacto negativo da guerra no PIB, o que ameniza um pouco (o avanço das taxas)”, acrescentou.

Pela manhã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que determinará a anulação de um leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP), o chamado gás de cozinha, realizado pela Petrobras, afirmando que houve um ágio de 100% no preço do produto vendido pela estatal.

Em março, a petroleira já havia cancelado, sem explicações, leilões de diesel e gasolina, após o diesel ter sido negociado nos certames entre R$1,80 e R$2,00 por litro acima do preço de referência das refinarias da própria companhia, segundo entidades do setor.

No mercado, a volatilidade recente mantém as dúvidas sobre a decisão de política monetária do Banco Central no fim deste mês.Na terça-feira -- dado consolidado mais recente -- as opções de Copom negociadas na B3 precificavam 48,00% de probabilidade de corte de 25 pontos-base da Selic em abril, 27,00% de chance de corte de 50 pontos-base e 15,00% de possibilidade de manutenção da taxa básica em 14,75% ao ano.

No início da sessão desta quinta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a produção industrial no país avançou 0,9% em fevereiro ante janeiro e cedeu 0,7% contra fevereiro do ano passado. Os resultados foram melhores do que as expectativas em pesquisa da Reuters, de ganho de 0,7% na comparação mensal e de queda de 1,0% na anual.

Neste fim de tarde, os rendimentos dos Treasuries tinham baixas leves no exterior, com os investidores se apegando às movimentações para reabertura de Ormuz. Às 16h37, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 2 pontos-base, a 4,303%.

Veja como estavam as taxas dos principais contratos de DI no fim da tarde desta quinta-feira:

Mês Ticker Taxa (% Ajuste Variação

a.a.) anterior (% (p.p.)

a.a.)

JAN/27 14,055 14,034 0,021

JAN/28 13,745 13,723 0,022

JAN/29 13,685 13,674 0,011

JAN/30 13,745 13,739 0,006

JAN/31 13,795 13,798 -0,003

JAN/35 13,875 13,858 0,017

(Edição de Isabel Versiani)