Preços de energia refletem alta estrutural e não falha de mercado, defende CCEE
“É bom lembrarmos do período úmido que se encerrou em abril, e foi o sétimo pior do histórico, o aumento da participação das fontes intermitentes e impactos da crise geopolítica do Oriente Médio para o custo dos combustíveis”, disse Ramos, ao citar alguns fatores altistas sobre os preços durante a participação em evento da CCEE.
Segundo ele, diante da realidade mais "complexa e diversificada" do setor elétrico brasileiro, não poderia ser esperado que o preço da energia no mercado de curto prazo -- o chamado "PLD" -- se comportasse como na década passada, ou mesmo em 2024, antes da introdução de mudanças nos modelos de precificação.
A declaração de Ramos vem em um momento em que o mercado de energia elétrica discute a manutenção de alguns ajustes que foram feitos nos modelos computacionais e matemáticos que são usados no planejamento de operação do sistema elétrico e na precificação da energia.
As mudanças, que entraram em vigor no início do ano passado, foram introduzidas para tornar os preços de energia no Brasil mais realistas e próximas dos custos reais do setor, mas levantaram críticas especialmente por parte das comercializadoras de energia, que veem uma "total imprevisibilidade" da precificação.
Os órgãos do setor elétrico estão discutindo se há necessidade de nova alteração de parâmetros como o de "aversão a risco", que torna o modelo mais pessimista, dando mais peso para possíveis cenários de seca extrema drenando os reservatórios de hidrelétricas.
Para que eventuais mudanças entrem em vigor em 2027, elas precisam ser aprovadas até junho deste ano. Há uma expectativa de que o tema seja discutido na reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) de maio.
Segundo Ramos, há uma “avaliação positiva” sobre as mudanças introduzidas em 2025, evidenciada por uma queda de 70% em encargos na comparação com o ano anterior.
Já na visão de parte do setor elétrico, os modelos setoriais são altamente conservadores, aumentando o preço da energia sem trazer benefícios concretos de segurança energética para o país.
A consultoria Thymos, por exemplo, vem apontando que, mesmo em cenários de sobra de energia, inclusive com vertimentos recorrentes de hidrelétricas do Norte nos últimos meses, os preços têm se ajustados elevados, muitas vezes entre R$ 200 e R$ 300 por megawatt-hora (MWh).
Uma reportagem da Reuters na véspera mostrou que a inclusão de uma pequena usina nas informações usadas para a operação do sistema elétrico teve forte impacto "altista" sobre o cálculo dos preços da energia para maio, estimado em até R$ 80/MWh em relatórios à Reuters feitos por comercializadoras.
(Por Letícia Fucuchima; edição de Roberto Samora)