Novas ameaças de Trump ao Irã são alerta realista aos investidores


Por Ankur Banerjee e Gregor Stuart Hunter

2 Abr (Reuters) - A ameaça do presidente dos EUA, Donald Trump, de bombardear o Irã e fazer o país retroceder à Idade da Pedra aumentou drasticamente a tensão, frustrando a esperança dos investidores de um fim rápido para a guerra.

Os mercados globais reagiram negativamente nesta quinta-feira, com as ações e os preços dos títulos caindo, o petróleo disparando e o dólar se fortalecendo, depois que Trump deu pouca clareza sobre quando o conflito pode terminar.

Ele afirmou que as forças armadas dos EUA quase alcançaram seus objetivos no Irã, mas que continuariam a atingir alvos nas próximas duas a três semanas. Além disso, Trump não disse como o Estreito de Ormuz, uma importante rota marítima bloqueada pelo Irã, poderia ser reaberto.

"Não acho que o discurso em si tenha sido muito informativo, além do fato de que eles vão continuar bombardeando pelas próximas duas ou três semanas", disse Mike Houlahan, diretor da Electus Financial Ltd em Auckland.

"Isso adia ainda mais o prazo para a resolução", afirmou. "A próxima questão é: como ele estendeu o prazo e confirmou que levará mais duas ou três semanas, isso aumenta a pressão sobre a cadeia de suprimentos de combustível?"

DECEPÇÃO PARA OS INVESTIDORES

Os investidores depositavam suas esperanças no fim do conflito após os comentários de Trump no início da semana, que impulsionaram as bolsas globais e fizeram o dólar recuar de suas máximas recentes. O discurso de quarta-feira, no entanto, reforçou a probabilidade de uma guerra prolongada.

Os investidores que haviam aumentado sua exposição ao risco saíram rapidamente dessas posições antes do feriado prolongado.

A interrupção no fornecimento de petróleo e seu impacto na inflação têm sido uma preocupação central para os mercados financeiros. Os comentários de Trump na quarta-feira não deixaram claro se as operações militares dos EUA poderiam terminar antes mesmo de o Irã reabrir o Estreito de Ormuz.

O controle do Irã sobre essa importante via navegável desencadeou o que muitos analistas descrevem como o pior choque energético global da história. O petróleo Brent subia mais de 8% nesta quinta-feira, cotado perto dos US$109 o barril.

"Sem planos para reabrir o Estreito de Ormuz, que ele efetivamente fechou, os preços do petróleo permanecerão altos indefinidamente", disse Matt Simpson, analista sênior de mercado da Stonex em Brisbane, acrescentando que os mercados em breve enfrentarão "a próxima rodada de inflação".

O discurso de Trump e as perspectivas de uma interrupção prolongada no fornecimento de petróleo reacenderam as preocupações do mercado sobre a estagflação -- a combinação de alta inflação e crescimento fraco que abalou os mercados em março --, disseram analistas.

O Japão pode enfrentar riscos de estagflação decorrentes da guerra com o Irã, que seriam difíceis de combater com a política monetária, afirmou na quarta-feira Toichiro Asada, novo membro do conselho do Banco do Japão.

"A principal pergunta na mente de todos os investidores é 'quando isso vai acabar?'. É isso que está criando a volatilidade", disse Russel Chesler, chefe de investimentos e mercados de capitais da Vaneck em Sydney.

"Estamos diante de uma situação em que estamos entrando em um cenário de estagflação, com crescimento mais baixo e expectativas de inflação mais altas."

Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA subiram devido às preocupações de que a inflação mais alta possa impedir uma política monetária mais flexível. Os rendimentos dos títulos de dez anos subiam nesta quinta-feira 2 pontos-base, para 4,341%, após terem registrado altas maiores na esteira do pronunciamento de Trump.

Espera-se que os mercados permaneçam voláteis, enquanto os investidores acompanham os desdobramentos da guerra nas próximas duas a três semanas. Analistas preveem alta do dólar e dos preços do petróleo no curto prazo, à medida que os investidores adotam uma postura de aversão ao risco.

O dólar, que se beneficiou da corrida por ativos de refúgio desde o início do conflito, no fim de fevereiro, valorizou-se frente a outras moedas importantes nesta quinta-feira, revertendo dois dias de perdas.

"O dólar já subiu um pouco... e acho que, dadas as nossas expectativas de que a guerra se estenda pelo menos até junho, o dólar certamente pode subir ainda mais", disse Carol Kong, estrategista de câmbio do Commonwealth Bank of Australia.

"É difícil sentir otimismo quanto ao fim da guerra, com certeza, porque, no fim das contas, Israel e Irã são as outras duas partes envolvidas; não é só os EUA."

(Reportagem de Ankur Banerjee, Jiaxing Li, Scott Murdoch e Gregor Stuart Hunter; reportagem adicional de Dhara Ranasinghe; texto de Sumeet Chatterjee)