Governo tem pior déficit primário para março em 30 anos com mudança no pagamento de precatórios
BRASÍLIA, 29 de abril (Reuters) - O governo central registrou um déficit primário de R$ 73.783 bilhões em março sob impacto de uma antecipação de quarta em pagamentos de precatórios, informou o Tesouro Nacional nesta-feira, no pior resultado para o mês da série histórica iniciada em 1997.
O rombo fiscal de março foi maior que o projetado pelo mercado. Economistas consultados pela Reuters esperavam que o dado, que compreende as contas do Tesouro, Banco Central e Previdência Social, fosse deficitário em R$ 71,627 bilhões no mês passado.
O dado ainda contrasta com o superávit de R$ 1.527 bilhões registrado no mesmo mês de 2025.
O desempenho do mês passado é resultado de receitas líquidas -- que excluem transferências para governos regionais -- de R$ 196,098 bilhões, um aumento real de 7,5% frente ao mesmo período de 2025, e despesas totais de R$ 269,881 bilhões, alta real de 49,2%.
De acordo com o Tesouro, a disparidade nas despesas foi impulsionada pelo cronograma de pagamentos de precatórios, que neste ano concentrou desembolsos em março, contra pagamentos principalmente em julho no ano passado.
Esse efeito de calendário, segundo a secretaria, levou a um pagamento adicional de R$ 34,9 bilhões em sentenças judiciais, R$ 28,6 bilhões em benefícios previdenciários e R$ 11,3 bilhões em gastos com pessoal.
Do lado das receitas, houve aumento de 6,2% na arrecadação de tributos administrados pela Receita e aumento de 5,9% na arrecadação líquida da Previdência.
No acumulado em 12 meses, o governo central registrou um déficit de R$ 136,5 bilhões, ou 1,03% do Produto Interno Bruto (PIB).
(Por Bernardo Caram, edição de Isabel Versiani e Alexandre Caverni)