Alta de preço do botijão de gás provoca mal-estar na Petrobras

 


O leilão de gás de botijão (GLP) feito na terça-feira (31) pela Petrobras, com preços bem acima do que consta no valor de referência das refinarias, virou motivo de impasse dentro da estatal e já resultou na primeira baixa desde que começou a guerra no Irã.

Magda Chambriard, presidente da estatal, determinou mudanças no comando da Gerência de Comercialização. Na terça-feira, o gerente da área fez o certame de GLP contra o direcionamento da diretoria, o que pode pressionar ainda mais o preço do botijão.

A área de gás na Petrobras fica dentro da diretoria de Transição Energética, mas quem cuida dos leilões é a área de comercialização. Segundo fontes, a decisão de fazer o leilão foi vista como um ato de “insubordinação” e, por isso, haverá mudança no comando da área.

No leilão de terça-feira de GLP, a Petrobras ofertou valores que podem gerar um incremento de até R$ 39,40 por botijão de 13 quilos. Cada região contou com valores específicos, mas todos acima do valor atual, diz outra fonte do setor. O leilão movimentou 70 mil toneladas, cerca de 15% de tudo que a estatal fornece.

Segundo dados da ANP, o preço do botijão está em R$ 95,67 no Rio; e em São Paulo, R$ 114,80.

Hoje, cerca de 75% do GLP consumido no Brasil é produzido pela Petrobras. Os 25% restantes são importados, sendo a maior parte adquirida pela própria estatal no exterior. Atualmente, segundo cálculos internos da companhia, o GLP vendido às refinarias tem uma defasagem de cerca de 30%.

O gás é um tema sensível tanto no governo quanto na Petrobras, já que atinge em cheio uma das bandeiras de Lula, o botijão de gás. Para isso, foi criado o programa Gás do Povo substitui o antigo vale-gás, oferecendo um voucher (vale-recarga) para botijões de 13 kg a famílias do Bolsa Família e com renda per capita de até meio salário mínimo.

O leilão de GLP ocorreu após um leilão semelhante de diesel pela Petrobras, que também teria preços acima do valor de tabela da estatal, mas acabou sendo suspenso.

O leilão do GLP ocorreu em um momento em que o governo estudava a criação de uma subvenção temporária para o GLP, que seria repassada na íntegra para a Petrobras. Assim, o que seria um ganho para a estatal pode se traduzir em prejuízo para a companhia, que poderá ser multada.

Na terça-feira, o Sindigás, que reúne as empresas distribuidoras de GLP, enviou ofício ao Ministério de Minas e Energia (MME) pedindo “urgência” na atualização dos preços de referência vigentes do Programa Gás do Povo, de acordo com documento obtido pelo jornal O Globo.

Segundo o documento, a entidade lembra que o preço do GLP aumentou cerca de 16% desde o início da guerra no Irã. O Sindigás alega “relevantes mudanças nas condições econômicas e de mercado da cadeia do GLP”.

Os preços de referência, base para o reembolso do governo aos revendedores, variam por estado. O benefício é liberado para cerca de 15,5 milhões de famílias, sendo entregue por meio de voucher no aplicativo Caixa Tem ou pelo cartão do Bolsa Família. As informações são do jornal O Globo.

Fonte: Jornal O Sul