Tarifas de Trump tiveram pouco impacto no PIB de 2025 mas aumentaram receita, mostra estudo acadêmico




Por David Lawder

WASHINGTON, 25 Mar (Reuters) - As tarifas impostas no ano passado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tiveram um impacto mínimo sobre a produção econômica do país, mas geraram uma receita federal significativa e contribuíram para uma maior dissociação comercial entre os Estados Unidos e a China, segundo um novo estudo acadêmico do Brookings Institution, divulgado nesta quarta-feira.

O documento que analisa o impacto de curto prazo das tarifas de Trump constatou que seu "impacto líquido sobre o bem-estar" da economia dos EUA variou de um acréscimo de 0,1% do PIB a uma subtração de 0,13%, dependendo das suposições sobre as mudanças nos termos de troca, incluindo o grau de mudança da demanda para bens produzidos internamente.

Aqui estão outras conclusões importantes do estudo conduzido pelo economista da Universidade da Califórnia-Los Angeles, Pablo Fajgelbaum, e pelo economista da Universidade de Yale, Amit Khandelwal:* O impacto mínimo sobre o consumo real oculta grandestransferências brutas dos consumidores para os produtores, masessa distorção é amplamente compensada por maiores receitasfederais e ganhos salariais em alguns setores. * O repasse das tarifas para os preços mais altos "incluindo tarifa" é alto, de 80% a 100%. Em um cenário-base, ospesquisadores estimaram esse repasse em 90%, o que significa queapenas 10% do custo tarifário mais alto foi suportado pelosexportadores estrangeiros. * As taxas tarifárias aumentaram de 2,4% para 9,6%, o maiornível em 80 anos, mas as taxas aplicadas são menores e afetamapenas uma pequena parcela do PIB. O estudo informa que cerca de57% das importações dos EUA ainda entram sem impostos devido aoacordo comercial entre EUA, México e Canadá e às isençõestarifárias para energia e determinadas importações deeletrônicos. * A receita das tarifas cobradas em 2025 totalizou US$264bilhões, representando cerca de 4,5% do total de receitas, emcomparação com cerca de 1,6% na última década. * A participação da China nas importações dos EUA caiu paraapenas 7% em dezembro de 2025, de 23% em dezembro de 2017, antesde Trump impor tarifas punitivas sobre os produtos chinesesdurante seu primeiro mandato. Mas muitas dessas importaçõesforam transferidas para outros países. * O estudo não encontrou evidências de que as tarifas tenhamaumentado o "friend-shoring" das cadeias de oferta para paísesaliados dos EUA, que tenham aumentado o emprego no setor demanufatura dos EUA ou reduzido o déficit comercial geral. Aindanão se sabe quais são os benefícios dos recentes acordoscomerciais do governo Trump que visam a abrir mercadosestrangeiros para as exportações dos EUA.

(Reportagem de David Lawder)