Minerva prevê ano mais difícil após superar expectativas em 2025




Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 18 Mar (Reuters) - A Minerva, maior exportadora de carne bovina da América do Sul, projeta um 2026 mais difícil após superar expectativas de consenso do mercado com resultados recordes em 2025, em números que consideraram a consolidação de aquisições de várias unidades produtoras, disseram diretores da companhia nesta quarta-feira.

A companhia, que obtém cerca de 60% de suas receitas nos mercados externos, divulgou nesta quarta-feira lucro líquido de R$85 milhões no quarto trimestre de 2025 e lucro recorde de R$848,3 milhões no ano completo, versus prejuízo de mais de R$1,5 bilhão em 2024.

A geração de caixa medida pelo Ebitda foi de R$1,17 bilhão no quarto trimestre, com crescimento de 24,1%, enquanto o indicador marcou um aumento de 54,1% em 2025 na comparação anual, para um recorde de R$4,8 bilhões.

Executivos da Minerva destacaram que a empresa obteve desempenho acima do consenso em 2025 com a conclusão bem-sucedida de uma série de aquisições junto ao concorrente Marfrig (atual MBRF), o que contribuiu para um salto no número de unidades de 26 para 38 unidades, a maioria na América do Sul.

"Batemos todas as estimativas iniciais de todos os analistas", disse o diretor financeiro da Minerva, Edison Ticle, citando itens como receita líquida, Ebitda, resultado líquido e dívida.

As aquisições permitiram diluição mais eficiente da estrutura de custos e despesas, contribuindo para maximizar as oportunidades de arbitragem e o patamar de rentabilidade da Minerva, o que fortalece o negócio para o ano de 2026.

Para o diretor financeiro, o primeiro trimestre está sendo mais difícil, considerando as volatilidades dos mercados em meio à guerra no Irã e as pressões de custos, como aqueles gerados pela alta do petróleo para o transporte.

"Dependendo do que acontecer, devemos ter um ano de 2026 realmente pior do que em 2025", disse ele a jornalistas.

Mas o executivo destacou o balanço de oferta e demanda no mundo seguirá deficitário para a carne bovina, o que pode gerar oportunidades de aumento dos preços.

"No mundo, este ano, tem menos oferta. Austrália, Brasil, EUA, China vão produzir menos... isso abre espaço em cenário de demanda estável para aumento de preços", afirmou.

"Mas, se isolar este fato e olhar só o cenário da pressão de custos advindos do ciclo do gado, provavelmente vai ter um ano mais difícil em 2026 do que em 2025", acrescentou.

Em 2026, o setor de carne bovina do Brasil enfrentará um cenário mais complicado para exportar à China, considerando que o maior importador do país adotou uma política de salvaguardas que estipula tarifas adicionais de 55% para o que for além de uma cota de pouco mais de 1 milhão de toneladas no ano.

Mas o diretor-presidente da companhia, Fernando Galletti de Queiroz, comentou que outras unidades exportadoras da Minerva, na Argentina, Uruguai e Colômbia, não têm um impacto tão relevante como o Brasil nas exportações para China.

"Obviamente limita a China como destino, e o Brasil tem que trabalhar outra alternativa de mercado", disse Queiroz, ressaltando que a Minerva conseguirá diluir essa dificuldade em outros mercados externos e com vendas nos mercados internos onde atua.

Queiroz também destacou o potencial de crescimento "bastante significativo" para vendas aos Estados Unidos, também por meio das unidades em outros países, como Argentina, Paraguai e Uruguai.

Falando especificamente de vendas para a região do conflito no Golfo Pérsico, o CFO afirmou que a região afetada representa menos de 7% das exportações da companhia, e parte dos países do Oriente Médio continua sendo abastecido por portos ou rotas alternativas.

"O impacto de faturamento é pequeno em relação a destinos", disse ele, citando, por outro lado, um encarecimento das operações pelo frete marítimo.

DIVIDENDOS

Conforme o relatório, a companhia propôs a distribuição de dividendos complementares no valor de R$30,8 milhões a serem aprovados em assembleia em abril. Somados à distribuição antecipada, o valor total será de R$192,9 milhões em dividendos relativos ao ano-fiscal 2025.



(Por Roberto Samora)