Economia do Brasil cresce no ritmo mais forte em 1 ano em janeiro, mostra BC, mas fica abaixo do esperado
Por Camila Moreira
SÃO PAULO, 16 Mar (Reuters) - A economia do Brasil registrou em janeiro o ritmo mais intenso de crescimento em um ano, mas ainda assim iniciou 2026 com um resultado ligeiramente abaixo do esperado antes de virem à tona as incertezas provocadas pela guerra no Oriente Médio, de acordo com dados do Banco Central divulgados nesta segunda-feira.
Dado dessazonalizado mostrou que o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), considerado um sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), teve em janeiro alta de 0,80% na comparação com o mês anterior.
O resultado foi o mais elevado desde janeiro de 2025 e igualou março daquele ano, mas ficou um pouco abaixo da expectativa em pesquisa da Reuters de crescimento de 0,85% no mês. Também mostrou recuperação em relação à queda de 0,15% em dezembro.
"Dado o bom desempenho dos indicadores setoriais, uma aceleração firme era esperada, ainda assim, vemos que o desempenho de janeiro é mais um repique, recuperando as perdas observada em dezembro, do que uma mudança de trajetória", afirmou André Valério, economista sênior do Inter.
No ano passado, o Produto Interno Bruto registrou expansão de 2,3%, segundo dados do IBGE divulgados no início do mês, mas terminou o ano quase estagnado no quarto trimestre.
A economia nacional iniciou 2026 com uma política monetária ainda restritiva depois de o BC ter mantido a taxa básica de juros Selic em 15% em janeiro. A autoridade monetária volta a se reunir nesta semana e a expectativa é de um corte na Selic, mas a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada no final de fevereiro, agora turva as perspectivas ao elevar os preços do petróleo e as pressões inflacionárias.
Em janeiro, o destaque foi o crescimento de 0,8% dos serviços, de acordo com a abertura dos dados do BC. A indústria teve expansão de 0,4%, enquanto a agropecuária retraiu 1,5%.
"O comportamento dos dados de atividade econômica neste início do ano sugere que o primeiro trimestre ... deve trazer sinais de reaceleração do crescimento, refletindo um ambiente mais favorável ao consumo e o avanço de segmentos mais exógenos da economia, como a indústria extrativa e a agropecuária", disse o economista da Suno Research Rafael Perez.
Dados do IBGE sobre a atividade econômica em janeiro surpreenderam para cima nas comparações com o mês anterior. A produção industrial e o volume de serviços registraram altas acima do esperado, respectivamente de 1,8% e 0,3%. Já as vendas no varejo tiveram aumento inesperado de 0,4% no mês.
"Continuamos prevendo uma aceleração do PIB no primeiro trimestre de 2026, já que os impactos negativos do aperto monetário persistem mas uma nova rodada de estímulo fiscal -- por meio da isenção do Imposto de Renda -- e a resiliência do mercado de trabalho impulsionaram os segmentos ligados ao consumo", avaliou o Santander.
Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o IBC-Br teve alta de 1,0%, enquanto no acumulado em 12 meses passou a um ganho de 2,3%, de acordo com números não dessazonalizados.
A mais recente pesquisa Focus realizada pelo Banco Central mostrou que a expectativa do mercado para a expansão do PIB em 2026 é de 1,83%, indo a 1,80% em 2027.
O IBC-Br é construído com base em proxies representativas dos índices de volume da produção da agropecuária, da indústria e do setor de serviços, além do índice de volume dos impostos sobre a produção.
(Por Camila Moreira)