Brasil pode ser celeiro global de processamento de dados, avalia Galapagos Capital
"O Brasil reúne uma combinação rara de atributos para data centers: energia predominantemente renovável, preços de eletricidade abaixo da média global, grid interligado nacionalmente, conectividade por cabos submarinos e, agora, um marco regulatório competitivo", afirma Parizotto.
De acordo com o estudo, o país já abriga 189 data centers - 70% na região Sudeste, com São Paulo como hub indiscutível - e seu mercado deve crescer de US$5,3 bilhões em 2024 para US$7,1 bilhões até 2029.
A Galapagos ressalta que o arcabouço regulatório brasileiro deu um salto significativo, citando a Política Nacional de Data Centers (PNDC), que, por meio do programa ReData, prevê a eliminação de impostos federais sobre equipamentos para data centers, reduzindo a carga tributária do setor.
"A redução da carga tributária de 52% para 18% sobre equipamentos de TIC é transformacional. Quando se considera que impostos representam quase 70% do custo de uma GPU importada, o impacto no retorno dos projetos é substancial", avalia Parizotto.
"Isso muda a equação para hyperscalers e investidores globais que estão decidindo onde colocar os próximos bilhões", estima o executivo. De acordo com estimativas do Ministério da Fazenda, o ReData pode atrair investimentos privados de R$2 trilhões ao longo de dez anos.
Há ainda, ressalta o estudo, a extensão dos benefícios das Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs) a serviços digitais, incluindo data centers voltados a IA e infraestrutura de nuvem.
CHILE, COLÔMBIA E MÉXICO TAMBÉM NO MAPA
O estudo também mapeou como mercados-chave na região o Chile, o México e a Colômbia, com Parizotto ressaltando que quem se posicionar agora terá vantagem.
No caso do Chile, o estudo considera a expectativa de crescimento anual (CAGR) de 18-19% em capacidade instalada até 2030, alcançando 579 megawatts. Santiago concentra mais de 85% da capacidade atual, e o país oferece incentivo fiscal de 30% sobre investimentos na região de Arica & Parinacota.
A grande oportunidade do país andino, conforme o levantamento, está no excedente renovável do norte, onde cerca de 20% da geração solar e eólica é desperdiçada por limitações de transmissão, o equivalente a 6 terawatts-hora por ano.
Para o México, o cálculo considera um crescimento anual (CAGR) de 31% em demanda, chegando a mais de 1.300 megawatts em 2032. E a proximidade com os Estados Unidos, bem como o acordo USMCA e o programa IMMEX (que permite importação temporária de equipamentos sem impostos) impulsionam a competitividade.
Colômbia, por sua vez, projeta crescimento de 33% ao ano em demanda, com Bogotá concentrando 70% dos 42 data centers do país. O país oferece incentivos como dedução de 50% no imposto de renda para projetos renováveis e isenção de tarifas e IVA para equipamentos de energia limpa.
(Por Paula Arend Laier)