USA Rare Earth compra brasileira Serra Verde por US$2,8 bi, ampliando onda de aquisições


Por Eric Onstad e Ernest Scheyder

LONDRES, 20 Abr (Reuters) - A USA Rare Earth informou nesta segunda-feira que comprará a mineradora brasileira de terras raras Serra Verde em um negócio de US$2,8 bilhões, na última de uma série de aquisições que impulsionam o portfólio de mineração, processamento e fabricação de ímãs da empresa.

Em menos de um ano, a onda de aquisições internacionais da USA Rare Earth levou-a a adicionar a produtora britânica de metais e ligas de terras raras Less Common Metals e uma participação na empresa francesa de processamento Carester ao seu portfólio que inclui ainda sua fábrica de ímãs em Stillwater, Oklahoma, e sua mina Round Top, no Texas.

A última aquisição, que ocorre depois que o Departamento de Comércio dos EUA assumiu uma participação na USA Rare Earth em janeiro, dará à empresa o controle da mina Pela Ema da Serra Verde, que é rica em terras raras pesadas, ao contrário de muitos outros depósitos ocidentais, o que a torna particularmente atraente.

O acordo "representa um passo transformador na concretização de nossa ambição de construir um campeão global e o parceiro preferido em elementos, óxidos, metais e ímãs de terras raras", disse a presidente da USA Rare Earth, Barbara Humpton.

A previsão de escassez de disprósio e térbio, terras raras pesadas, pode ser um obstáculo na luta do Ocidente para criar cadeias de suprimento domésticas de terras raras e ímãs permanentes vitais para a transição energética, eletrônica e aplicações de defesa.

Atualmente, a China é responsável por cerca de 90% da produção global de terras raras processadas, o que lhe permite controlar amplamente os preços.

A USA Rare Earth pagará US$300 milhões em dinheiro e 126,9 milhões em suas próprias ações recém-emitidas pela Serra Verde, com a expectativa de que o negócio seja fechado no terceiro trimestre de 2026, segundo um comunicado.

A empresa concordou com um pacote de financiamento de dívida e capital de US$1,6 bilhão com o governo dos EUA em janeiro, enquanto a Serra Verde, de capital fechado, concordou com um acordo de financiamento no valor de US$565 milhões com Washington em fevereiro.

Espera-se que a fábrica de ímãs do grupo norte-americano em Oklahoma seja inaugurada ainda este ano.

As ações da USA Rare Earth saltaram 9% nas negociações da tarde.

ACORDO DE COMPRA

A Serra Verde receberá um preço garantido por sua produção, ajudando a empresa combinada a enfrentar a volatilidade dos preços das terras raras.

A compra faz parte de um acordo de fornecimento de 15 anos para 100% da produção da Serra Verde com uma sociedade de propósito específico capitalizada pelo governo dos EUA e por fontes privadas. A sociedade de propósito específico poderá vender a produção para quem quiser, inclusive para a própria USA Rare Earth para fabricar peças para ímãs.

A mina da Serra Verde iniciou a produção comercial no início de 2024 e ainda não atingiu a produção total, que deve ser de cerca de 6.400 toneladas de óxidos totais de terras raras por ano até 2027.

Com a aquisição, o CEO do Grupo Serra Verde, Thras Moraitis, vai se tornar presidente da USA Rare Earth e vai se juntar ao seu conselho, enquanto o presidente do conselho Mick Davis, ex-chefe da Xstrata, também vai integrar o conselho. Já o presidente da Serra Verde Pesquisa e Mineração, Ricardo Grossi, continuará liderando as operações no Brasil.

Os atuais proprietários da Serra Verde -- que incluem os grupos de capital privado Denham Capital, Energy and Minerals Group e Vision Blue -- deterão 34% da empresa combinada.