Taxas dos DIs acompanham Treasuries e caem com investidores de olho no noticiário da guerra


Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 30 Mar (Reuters) - As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) oscilam em baixa nesta segunda-feira, acompanhando o recuo firme dos rendimentos dos Treasuries no exterior, com o noticiário sobre a guerra no Oriente Médio concentrando as atenções.

No Brasil, destaque para os comentários do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, pregando cautela na análise dos efeitos da guerra sobre a economia.

Às 11h49, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 14,065%, com baixa de 12 pontos-base ante o ajuste de 14,181% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 14,09%, com queda de 7 pontos-base ante 14,164%.

Nesta segunda-feira, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que o país está em negociações para encerrar o conflito, mas reiterou aviso para que Teerã abra o Estreito de Ormuz, ou corra o risco de sofrer ataques a seus poços de petróleo e usinas de energia. Trump também ameaçou atacar as usinas de dessalinização que fornecem água ao Irã.

Já o Irã qualificou as propostas de paz dos EUA como "irrealistas, ilógicas e excessivas" e lançou mais mísseis contra Israel.

Neste cenário, o petróleo tipo Brent voltou a subir nesta manhã, para acima dos US$113 o barril, mas ainda assim os rendimentos dos Treasuries operavam em baixa, após os fortes avanços vistos no encerramento da última semana.

Às 11h49, o rendimento do Treasury de dois anos--que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo-- tinha queda de 9 pontos-base, a 3,824%. Já o retorno do título de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 10 pontos-base, a 4,338%.

No Brasil, durante evento no início da manhã, Galípolo avaliou que os choques de oferta como o observado neste momento com o conflito no Irã provavelmente pressionam a inflação para cima e a atividade econômica para baixo. No entanto, ele defendeu que a instituição tenha cautela ao incorporar o impacto da guerra em seus cenários.

"O Banco Central tem toda uma governança justamente para tentar aparar as pontas, para que a gente não tenha posições mais extremadas sobrepondo o processo de decisão de política monetária", disse.

Na B3, as opções de Copom precificavam na última quinta-feira -- dado mais recente -- 40,00% de probabilidade de corte de 25 pontos-base da Selic em abril, 29,00% de chance de manutenção da taxa básica em 14,75% e 23,00% de possibilidade de redução de 50 pontos-base.

Durante coletiva de imprensa pela manhã, o secretário do Tesouro, Daniel Leal, foi questionado sobre a possibilidade de o ciclo de cortes da Selic não ser tão grande quanto se esperava -- o que afetaria negativamente a trajetória da dívida brasileira.

Segundo ele, em todos os cenários traçados pelo Tesouro a dívida "continua sustentável".

"Mesmo que o ciclo de cortes da Selic não seja tão grande quanto se estava imaginando, existem várias maneiras de ir compensando", comentou, em referência à dinâmica da dívida. "Não é só a Selic que efetivamente impacta o custo da dívida", acrescentou.

Mais cedo, o Tesouro informou que o governo central registrou um déficit primário de R$30,046 bilhões em fevereiro, resultado ligeiramente melhor que o esperado pelo mercado, com queda real de 8,4% em relação ao rombo do mesmo mês de 2025.

Veja como estavam as taxas dos principais contratos de DI às 11h49 desta segunda-feira:

Mês Ticker Taxa Ajuste Variação

(% anterior (p.p.)

a.a.) (% a.a.)

JAN/27 14,29 14,371 -0,081

JAN/28 14,065 14,181 -0,116

JAN/29 14 14,11 -0,11

JAN/30 14,03 14,134 -0,104

JAN/31 14,055 14,16 -0,105

JAN/35 14,09 14,164 -0,074

(Edição de Isabel Versiani)