Presidente da Câmara dos Deputados diz que o País precisa “entender como absorver” a redução da jornada 6×1
Após cobranças de representantes do setor produtivo, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), defendeu que o Congresso avance com cautela na discussão sobre a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que reduz a jornada de trabalho do modelo 6×1 e afirmou que é preciso avaliar como a economia brasileira absorveria a mudança.
A fala ocorreu nesta terça-feira (17) durante almoço da FPE (Frente Parlamentar Mista do Empreendedorismo), depois de manifestações de participantes que alertaram para os impactos da medida.
“O que nós temos que entender é como o país vai absorver essa redução de jornada de trabalho. E o país que eu falo é o governo, é o setor produtivo. É entendermos como isso poderá ser viabilizado, para que a partir daí nós tenhamos a condição de avançar numa proposta”, afirmou.
A PEC que discute a redução da 6×1 está em discussões iniciais na Câmara, ainda pendente de aprovação na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). Na semana passada, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, esteve no colegiado para discutir a proposta e defendeu que a discussão ocorra no formato de uma PEC e defendeu que o governo não enviasse outro projeto sobre o tema — algo aventado pelo governo para dar mais celeridade à tramitação.
Ao defender as discussões mais alentadas proporcionadas pela tramitação de uma PEC, mesmo em um ano eleitoral, Motta afirmou que a Câmara conduzirá os debates de forma a encontrar consenso entre setores produtivos e trabalhadores.
“Por mais que estejamos em ano de eleição, nós não vamos conduzir esse debate de maneira atropelada, de maneira descompromissada, sem medir as consequências. Até porque isso deve até preocupar o próprio governo. Por quê? Porque um efeito negativo na economia é ruim para todos nós, e principalmente para quem está tocando o Executivo nesse momento”, disse.
Um dos que levantaram preocupações sobre o assunto foi Vander Giordano, executivo da Multiplan e integrante do conselho da Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers). Ele citou efeitos em diferentes setores da economia e questionou a capacidade de adaptação de municípios e empresas a uma eventual mudança para jornadas menores.
Entre os pontos mencionados, Giordano destacou possíveis impactos em serviços públicos municipais, setores que operam em regime contínuo como indústria mineração e no comércio, especialmente em shoppings, que concentram grande volume de empregos e funcionamento aos fins de semana.
Apesar dos questionamentos, Motta disse aos participantes do almoço que todos os setores representados no encontro deveriam “se sentir satisfeitos pelo formato dado pelo presidente da Câmara para a discussão dessa matéria”.
“Vejo que nós temos que trazer dados para a mesa. Não é só ficar contra por ficar contra. Tem que os setores impactados poderem, em cima da mesa, num debate amplo, transparente, trazer os impactos para a economia, trazer aquilo que será um efeito prático da decisão de se reduzir a jornada de trabalho”, concluiu. (Com informações de O Globo)
Fonte: Jornal O Sul
