Agroconsult eleva previsão de colheita de soja do Brasil após Rally da Safra
Por Roberto Samora
SÃO PAULO, 25 Mar (Reuters) - A safra brasileira de soja 2025/26 foi estimada nesta quarta-feira em um recorde de 184,7 milhões de toneladas, um crescimento de 6,7% em relação ao ciclo anterior, estimou a Agroconsult, ao consolidar dados da expedição técnica Rally da Safra.
A consultoria também elevou em 0,9% sua previsão para a safra do maior produtor e exportador global da oleaginosa em relação à previsão do início de março.
O novo número de safra do país reflete ajustes tanto na produtividade quanto na área plantada, que subiu para uma máxima histórica de 49,1 milhões de hectares, ante 48,8 milhões na previsão anterior (+0,6%).
Com aproximadamente 1.700 lavouras avaliadas em 14 Estados e mais de 60 mil quilômetros percorridos pelo Rally da Safra, a Agroconsult revisou a produtividade nacional para 62,7 sacas por hectare, ante 62,5 sacas na previsão do início de março.
Entre os destaques positivos da safra 2025/26 estão Mato Grosso, maior produtor brasileiro, e a Bahia, disse a consultoria.
Com a colheita finalizada, Mato Grosso deve produzir 51,3 milhões de toneladas, mantendo a produtividade em 66 sacas por hectare -- estável em relação ao relatório anterior e pouco acima da estimativa inicial do Rally (65 sacas). A produção do Estado é superior à estimada para a Argentina, o terceiro produtor global após o Brasil e os Estados Unidos.
"No início do Rally, as lavouras precoces do Mato Grosso já indicavam alto potencial produtivo. Em fevereiro, o excesso de chuvas trouxe preocupação com a qualidade e o peso dos grãos. Ainda assim, os dados finais mostram que o Estado sustentou uma produtividade elevada, apoiada pelo maior número de grãos por hectare e bom peso dos grãos", disse o coordenador geral da expedição técnica, André Debastiani.
O Rio Grande do Sul acabou sendo destaque negativo na produção nacional, apesar de a safra não ter sido tão ruim como em anos anteriores.
Com apenas 11% da área colhida no Rio Grande do Sul -- ritmo inferior à média das últimas cinco safras --, a estimativa de produtividade passou de 52 sacas por hectare para 47 sacas em fevereiro e foi ajustada para 48,3 sacas na rodada final.
"Apesar da melhora da percepção de potencial do Estado, após rodarmos o Estado no final de março, a produção ainda deve ficar ligeiramente abaixo das 20 milhões de toneladas", disse Debastiani.
MILHO
A Agroconsult, que também fará uma expedição técnica para medir a produtividade do milho segunda safra, estimou preliminarmente uma queda de 7,6% na colheita em 2025/26, para 114,5 milhões de toneladas, considerando produtividades mais baixas.
A segunda safra, que responde pela maior parte da produção brasileira do cereal, está com plantio praticamente concluído, mas o desenvolvimento depende das condições climáticas.
"O que vai definir o potencial produtivo é o comportamento do clima em abril. Apesar das chuvas de março e dos bons níveis de umidade no solo, os modelos climáticos divergem", disse Debastiani.
"Enquanto o modelo europeu indica chuvas mais consistentes, o americano projeta volumes abaixo da média, o que mantém o nível de incerteza elevado", explicou.
A área estimada pela Agroconsult para a segunda safra é de 18,5 milhões de hectares, crescimento de 2,5% em relação ao ciclo anterior, enquanto a produtividade média ainda segue uma linha de tendência, que reduz o total esperado para a temporada, após bons resultados no ciclo passado.
(Por Roberto Samora; edição de Letícia Fucuchima e Marta Nogueira)